BRASIL 13/14-Governo Dilma tenta, mas não alavanca investimento privado

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012 16:31 BRST
 

(A Reuters publica uma série de matérias especiais sobre as perspectivas para o Brasil em 2013 e 2014)

Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO, 21 Dez (Reuters) - Percorrido metade do mandato, o governo da presidente Dilma Rousseff enfrenta a dura lição de que, sozinha, a redução do juro não está sendo suficiente para garantir ao país uma expansão econômica liderada pelo investimento.

Empresários, investidores e economistas, embora concordem que o governo diagnostica corretamente os problemas que condenam a economia doméstica a frequentes voos de galinha, avaliam que o governo está falhando no esforço de criar um ambiente mais amigável para investimentos.

A principal crítica tem a ver com a aparente iniciativa estatal de estabelecer um teto para ganho dos investidores, especialmente na área de infraestrutura, como contrapartida compulsória ao cenário de custo de capital mais baixo, tática esta que ficou explícita na proposta de renovação antecipada de concessões do setor elétrico.

"O governo está com uma estratégia de estipular o retorno que as empresas devem ter. Isso tem que se dar via competição. Quando ele (governo) estabelece o retorno, as empresas pensam em aplicações que rendem mais", disse o presidente do Comitê de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José de Freitas Mascarenhas.

Aceitar uma rentabilidade menor parece não incomodar alguns investidores, como os interessados em participar dos leilões de concessão de rodovias e ferrovias, ainda por acontecer. Pelo menos essa é a avaliação do presidente da estatal Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo.

"Quando você fala de uma TIR (Taxa Interna de Retorno) de 5,5 por cento em termos reais, e que vai ter um financiamento de até 80 por cento do investimento a juro de 2 por cento, a remuneração do capital próprio do investidor vai ser de 9 ou 10 por cento, o que não é baixo", disse Figueiredo, escolhido por Dilma para modelar o plano de investimentos em logística.

De fato, com a taxa básica de juro Selic no piso recorde de 7,25 por cento ao ano, comprar a exclusividade de prestação de um serviço público de 20, 30 ou 40 anos, que ofereça uma TIR ao redor de 10 por cento não parece má ideia.   Continuação...

 
A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, comparece à cúpula do Mercossul no Palácio do Itamaraty, em Brasília. 7/12/2012 REUTERS/Ueslei Marcelino