Monti, da Itália, diz que consideraria concorrer em eleição

domingo, 23 de dezembro de 2012 13:55 BRST
 

Por Gavin Jones

ROMA, 23 Dez (Reuters) - O premiê interino italiano, Mario Monti, disse neste domingo que estaria disposto a concorrer a um segundo mandato na eleição de próximo ano se isso lhe fosse pedido por forças políticas que adotem sua agenda de reformas.

O ex-comissário (ministro) europeu, nomeado para conduzir um governo não eleito com o objetivo de salvar a Itália de uma crise financeira há um ano, renunciou na sexta-feira, mas tem enfrentado crescentes apelos para que ele persiga um segundo mandato na eleição de 24 e 25 de fevereiro.

Pronunciando-se em uma coletiva de imprensa de fim de ano, Monti destacou que não está entrando em nenhum movimento político e que está mais preocupado com a possibilidade de que suas diretrizes políticas sejam seguidas, e não com as personalidades que participarão das eleições.

Mesmo assim, ele disse que se uma força política ou coalizão oferecessem um programa razoável que ele apoiasse, "estaria disposto a oferecer encorajamento, auxílio e se necessário, liderança".

Questionado se isso significa que ele está pronto para assumir o posto de primeiro-ministro novamente ele disse: "Se uma força política digna de confiança pedisse que eu concorresse ao cargo de premiê por eles, eu consideraria".

Tanto o centro-direitista Partido Povo da Liberdade (PDL), de Silvio Berlusconi, e o centro-esquerdista Partido Democrático (PD), de Pier Luigi Bersani, pediram que ele não participe das eleições. O PD tem uma maioria significativa nas pesquisas de opinião.

Se Monti participar do processo eleitoral, vai enfrentar forte oposição de Berlusconi, a quem ele criticou fortemente durante suas declarações, dizendo que ficou "aturdido" pelas frequentes mudanças de posição do magnata da mídia de 76 anos de idade.

Delineando uma plataforma política ampla para competir com a agenda de reformas a que sua gestão tecnocrata deu início quando ele assumiu há mais de um ano, Monti disse que o novo governo não deve fazer promessas eleitorais fáceis ou retrocessos em reformas.

"Temos de evitar passos para trás ilusórios e extremamente perigosos", disse ele.

 
O primeiro-ministro interino da Itália, Mario Monti, comparece a uma coletiva de imprensa de fim de ano em Roma. 23/12/2012 REUTERS/Alessandro Bianchi