Fraco desempenho da economia do Japão reforça planos de novo premiê

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012 08:37 BRST
 

Por Tetsushi Kajimoto e Kaori Kaneko

TÓQUIO, 28 Dez (Reuters) - Os dados ruins da indústria japonesa, divulgados nesta sexta-feira, deram ao novo primeiro-ministro, Shinzo Abe, nova munição para pressionar por mais gastos por parte do Estado e por um afrouxamento monetário que resgate a terceira maior economia do mundo de décadas de deflação e da quarta recessão desde 2000.

Os eleitores japoneses e os mercados financeiros foram receptivos à posição agressiva do governo de Abe, que pretende despejar mais dinheiro na economia. Com isso, o índice de referência Nikkei alcançou nesta sexta-feira sua máxima desde o tsunami de março de 2011, apesar da queda acima do esperado na produção do setor manufatureiro.

As pesquisas de opinião publicadas pelos principais jornais nesta sexta-feira mostram que de metade a dois terços da população apoia o governo conservador de Abe e considera que a economia estagnada é a principal prioridade do governo.

Altos funcionários do novo governo, empossado há apenas dois dias após uma vitória eleitoral esmagadora, dizem que a gestão de Abe está sob pressão para obter resultados rápidos.

"(O apoio público) vai cair se ganhar corpo a especulação de que somos incapazes de obter resultados", disse o ministro encarregado de reavivar a economia, Akira Amari, em entrevista à imprensa após uma reunião de gabinete na manhã desta sexta.

Mas muitos economistas alertam que a ênfase de Abe em medidas de estímulo, em vez de reformas estruturais subjacentes para aumentar a competitividade da economia, pode ter apenas efeitos de curto prazo e ainda agravar a dívida pública, já inchada -- a pior entre os países industrializados.

PRESSÃO PARA AGIR

O governo está mantendo a pressão sobre o Banco do Japão (banco central) para que reforce estímulo monetário, mesmo depois de a instituição ter afrouxado a política em dezembro, pela terceira vez em quatro meses.   Continuação...