29 de Dezembro de 2012 / às 19:23 / 5 anos atrás

ANÁLISE-Para líderes do Senado, Obama tem missão impossível pela frente

Por Richard Cowan

SÃO PAULO, 29 Dez (Reuters) - Depois da reunião com líderes do Congresso, um presidente Obama impaciente e irritado disse que era “incompreensível” que o Congresso não tenha sido capaz de consertar a confusão do abismo fiscal que todos conhecem há mais de um ano.

Em seguida, enviou o líder da maioria do Senado, o democrata Harry Reid, e o líder republicano da minoria, Mitch McConnell, para uma missão surpreendente: preparar um projeto de lei bipartidário para acabar com o impasse no Congresso mais emperrado dos tempos modernos em cerca de 48 horas.

Reid e McConnell, táticos veteranos, conhecidos por sua rivalidade de longa data, já trilharam este caminho antes.

Sua última empreitada comum não teve muito êxito. Foi o acordo, em agosto de 2011 para evitar um calote que preparou o terreno para a atual confusão. Aquele esforço, assim como este, resultou de um grande esquema de redução de déficit que se transformou em um fracasso.

Mas eles nunca estiveram em uma situação tão adversa, com tantos pontos negativos, enquanto buscam evitar o abismo fiscal -fortes aumentos de impostos que entrarão em vigor na terça-feira e cortes automáticos dos gastos do governo, a partir de quarta-feira, num total de 600 bilhões de dólares.

As substanciais diferenças são apenas parte do desafio. Outros obstáculos incluem preocupações em saber quem levará a culpa e o legado de desconfiança entre os membros do Congresso. Qualquer acordo bem sucedido vai exigir medidas para salvar as aparências, tanto paras republicanos quanto para democratas.

A principal divergência entre eles são as reduções de impostos, inicialmente criadas pelo ex-presidente republicano George W. Bush, que vão expirar no final deste ano.

Os republicanos querem estender o benefício para todos, enquanto que os democratas querem eliminá-los para os contribuintes mais ricos.

O primeiro passo de Reid e McConnell pode ser encontrar uma fórmula aceitável para seus partidos. Enquanto os membros do Senado, mais do que os membros da Câmara dos Deputados, expressaram flexibilidade em relação aos impostos, isso ainda está longe de ser uma certeza num grupo que requer não apenas a maioria simples, mas de 60 dos 100 membros do Senado.

Com 51 democratas, 2 independentes que votam com os democratas e 47 republicanos, McConnell e Reid podem ter que suspender a regra dos 60 votos. Aprovar um projeto de lei na Câmara controlada pelos republicanos pode ser bem mais difícil.

A ala conservadora da Câmara, composta por muitos parlamentares alinhados com o movimento Tea Party, que teme ser o alvo dos ativistas contra os impostos nas eleições primárias em 2014, tem mostrado que não vai aprovar um projeto de lei que aumenta os impostos de todos, mesmo que isso signifique desafiar o líder republicano na Câmara, John Boehner.

Muitos democratas estão comprometidos com um ponto de vista oposto - e têm prometido não apoiar a continuidade das taxas de impostos da era Bush, para pessoas que ganham mais de 250 mil dólares por ano.

Alguns senadores estão contrariados com as condições exigidas pelos republicanos da Câmara. Boehner está insistindo que o Senado comece o trabalho com um projeto de lei que já foi aprovado na Câmara meses atrás, que faria com que os cortes de impostos da era Bush seguissem valendo por mais um ano.

O Senado, controlado pelos democratas, pode alterar o projeto de lei republicano, ele diz, mas precisa ser o projeto da Câmara.

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