Eleições italianas vão testar continuidade da reforma de Monti
ROMA, 31 Dez (Reuters) - Mario Monti declarou "missão cumprida" ao renunciar ao cargo de primeiro-ministro da Itália, passando à frente a crise de dívida que estourou quando tomou posse há pouco mais de um ano, mas 2013 mostrará se ele preparou bem o terreno para uma mudança econômica duradoura.
As eleições em 24 e 25 de fevereiro darão aos italianos a primeira oportunidade de manterem a atual política econômica ou cederem às crescentes críticas de políticos às medidas de austeridade de Monti.
A decisão de Monti de entrar na disputa colocou sua agenda de reformas no centro da campanha e terá efeitos fora da Itália, terceira maior economia da zona do euro, cuja moeda única quase entrou em colapso no ano passado.
Monti, ex-comissário da UE, visto com bons olhos pelos mercados, pelo empresariado e até pela Igreja Católica, insistiu que a eleição deve girar em torno de criar um acordo político em vez de se voltar para uma única pessoa.
Neste sentido, o verdadeiro selo de aprovação talvez não seja ele ganhar um segundo mandato, mas convencer outros partidos e o país inteiro a continuar com a agenda liberal que ele implantou.
Isso ainda é dúvida, apesar dos elogios no exterior à maneira como lidou com a crise, apesar de os italianos terem visto o padrão de vida cair e o desemprego disparar.
O centro-esquerdista Partido Democrata, favorito para vencer as eleições, apoiou Monti no Parlamento e diz que manterá a política dele, apesar de se focar mais em crescimento e ajuda aos trabalhadores e pobres.
No entanto, alguns da ala esquerdista do partido e dos sindicatos aliados alegam que a desigualdade cresceu durante a gestão de Monti.
Quanto aos direitistas, Silvio Berlusconi acusa Monti de acatar ordens da chanceler alemã, Angela Merkel, e de prejudicar a classe média em benefício dos bancos alemães. Continuação...

