"Abismo fiscal" vai para a Câmara, prazo e resultado são incertos

terça-feira, 1 de janeiro de 2013 18:22 BRST
 

WASHINGTON, 1 Jan (Reuters) - A luta de última hora de Washington para evitar um "abismo fiscal", que poderia levar o país à recessão, seguiu nesta terça-feira para a Câmara dos Deputados controlada por republicanos, depois que o Senado aprovou um acordo bipartidário para evitar grandes aumentos de impostos e cortes de gastos.

Em uma rara demonstração de união, tarde da noite, o Senado votou por 89 a 8 um aumento de impostos para os ricos, enquanto manteve as taxas baixas para eleitores de renda média.

As perspectivas do projeto de lei são menos garantidas na Câmara, onde a votação ainda não está marcada.

Muitos republicanos conservadores rejeitaram os aumentos de impostos para qualquer norte-americano, independentemente da renda. Alguns democratas liberais também estavam preocupados com um acordo complexo que eles achavam que fazia muitas concessões.

A incerteza prolongada em relação à política tributária e de gastos dos EUA vem desanimando investidores e reduzindo o ritmo dos negócios há meses, e os legisladores esperavam chegar a um acordo antes desta terça-feira, quando diversos aumentos automáticos de impostos e cortes de gastos começariam a abrir um rombo de 600 bilhões de dólares na economia norte-americana.

Os mercados financeiros evitaram uma queda acentuada por entender que Washington acabaria por conseguir evitar jogar o país no abismo fiscal e na recessão.

Com os mercados financeiros fechados pelo feriado de Ano Novo, os legisladores têm um dia a mais para fechar o acordo. "Meu distrito não pode se dar ao luxo de esperar alguns dias e ver as ações caírem 300 pontos amanhã se não nos juntarmos para fazer algo," disse o deputado Steve Cohen, um democrata do Tennessee, no plenário da Câmara.

O projeto de lei que foi aprovado pelo Senado por volta das 2h desta terça-feira aumenta o imposto sobre a renda para famílias que ganham mais de 450 mil dólares por ano.

Os baixos impostos que estavam em vigor para os contribuintes menos abastados na última década se tornariam permanentes, assim como uma série de incentivos fiscais direcionados e postos em prática pelo presidente Barack Obama no auge da recessão de 2009.   Continuação...