2 de Janeiro de 2013 / às 09:58 / em 5 anos

EUA aprovam legislação para evitar "abismo fiscal"

Por Andy Sullivan e Richard Cowan

Presidente dos EUA, Barack Obama, pisca ao chegar na Casa Branca para dar declarações em Washington. Os Estados Unidos evitaram uma catástrofe econômica na noite de terça-feira, quando os parlamentares aprovaram um acordo para suspender enormes aumentos de impostos e cortes de gastos que empurrariam a maior economia do mundo para um "abismo fiscal" e a recessão. 01/01/2013 REUTERS/Jonathan Ernst

WASHINGTON, 2 Jan (Reuters) - Os Estados Unidos evitaram uma catástrofe econômica na noite de terça-feira, quando os parlamentares aprovaram um acordo para suspender enormes aumentos de impostos e cortes de gastos que empurrariam a maior economia do mundo para um “abismo fiscal” e a recessão.

O acordo foi uma clara vitória para o presidente Barack Obama, que foi reeleito com a promessa de resolver problemas econômicos em parte pelo aumento dos impostos sobre os norte-americanos mais ricos. A oposição republicana foi forçada a votar contra um princípio central de sua fé conservadora.

O acordo também resolve, por ora, as dúvidas sobre se os EUA podem superar diferenças ideológicas profundas para evitar um agravamento da situação econômica, que só agora está começando a melhorar após a pior recessão em 80 anos.

Consumidores, empresas e os mercados financeiros foram abalados com os meses de impasse sobre o orçamento. A crise só terminou quando dezenas de republicanos na Câmara dos Deputados aceitaram os aumentos de impostos aprovados pelo Senado, que é controlado pelos democratas.

As bolsas asiáticas atingiram máxima de cinco meses e o dólar caiu, conforme os mercados saudavam a notícia.

A votação na Câmara evitou problemas imediatos, como o aumento de impostos para quase todas as famílias norte-americanas, mas não resolveu outros confrontos políticos sobre o orçamento para os próximos meses. Os cortes de gastos de 109 bilhões de dólares em programas militares e domésticos só foram adiados por dois meses.

Obama pediu “um pouco menos de drama” quando o Congresso e a Casa Branca forem negociar as próximas questões fiscais, como a extensão da autoridade de empréstimo do país.

“Embora eu vá negociar muitas coisas, não terei outro debate com o Congresso sobre se devem ou não pagar as contas que eles já acumularam”, disse Obama na Casa Branca.

Houve muito drama no primeiro dia de 2013, à medida que os parlamentares se esforçavam para evitar o “abismo fiscal” que seria provocado por aumento de impostos e cortes de gastos totalizando um buraco de 600 bilhões de dólares na economia este ano.

Enquanto o resto do país comemorava o Ano Novo com festas e jogos universitários de futebol americano, o Senado ficou reunido até 2h da madrugada da terça-feira e aprovou a lei por uma margem esmagadora de 89 a 8.

Quando chegaram à Câmara, os deputados republicanos foram obrigados a decidir se aceitavam um aumento de impostos de 620 bilhões de dólares ao longo de 10 anos sobre os mais ricos ou ficariam com a culpa por deixar o país no caos.

REPUBLICANOS RELUTANTES

Durante algumas horas, parecia que Washington iria enviar o país para o abismo fiscal no final das contas, até que os líderes republicanos determinaram que não tinham os votos para os cortes de gastos.

No final eles aprovaram, relutantemente, o projeto de lei do Senado por um voto bipartidário de 257 a 167 e o enviaram para Obama transformá-lo em lei.

“Estamos garantindo que os impostos não sejam aumentados em 99 por cento para nossos compatriotas americanos”, disse o deputado republicano David Dreier, da Califórnia.

A votação enfatizou a posição precária do presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner, que irá pedir a seus colegas republicanos que o reelejam na quinta-feira, quando um novo Congresso for empossado. Boehner apoiou o projeto de lei, mas a maioria dos republicanos da Casa votou contra ele.

O presidente da Câmara tinha tentado negociar um “grande acordo” com Obama para revisar o código tributário norte-americano e controlar os programas de saúde e de aposentadoria que devem inchar nas próximas décadas, conforme a população envelhece. Mas Boehner não conseguiu unir seus membros em torno de uma alternativa às medidas fiscais de Obama.

O imposto de renda agora vai subir para as famílias que fazem mais de 450 mil dólares por ano, e a quantia de deduções que elas podem fazer para diminuir a conta fiscal será limitada.

Impostos temporários menores que estavam em vigor na última década serão tornados permanentes para os contribuintes menos afluentes, junto com uma série de incentivos fiscais direcionados, postos em prática para combater a recessão econômica de 2009.

No entanto, trabalhadores verão até 2.000 dólares a mais tirados de seus contracheques anualmente com o fim de um corte temporário de impostos na folha de pagamento.

O Gabinete Orçamentário do Congresso, não-partidário, disse que a lei vai aumentar os déficits orçamentários em quase 4 trilhões de dólares nos próximos dez anos, em comparação com as economias orçamentárias que ocorreriam se as medidas extremas do abismo fossem adotadas.

Mas a medida vai realmente poupar 650 bilhões de dólares durante aquele período, quando for comparada com as políticas tributárias e de gastos que estavam em vigor na segunda-feira, segundo o Comitê para um Orçamento Federal Responsável, um grupo independente que pressionou por economias mais agressivas de déficit.

Reportagem adicional de Rachelle Younglai, Thomas Ferraro, Mark Felsenthal e David Lawder

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below