EUA podem ter batalhas mais duras após acordo sobre "abismo fiscal"
Por Thomas Ferraro e John Whitesides
WASHINGTON, 3 Jan (Reuters) - O presidente norte-americano, Barack Obama, e os congressistas republicanos podem ter que enfrentar batalhas orçamentárias ainda maiores nos próximos dois meses, depois que um duro acordo evitou por pouco o chamado "abismo fiscal", uma combinação devastadora de aumentos de impostos e cortes de gastos.
O acordo, aprovado na noite de terça-feira pela Câmara dos Deputados, liderada pelos republicanos e sancionado por Obama na quarta-feira, foi uma vitória para o presidente, que ganhou a reeleição em novembro com a promessa de tratar dos problemas orçamentários, em parte, elevando os impostos sobre os norte-americanos mais ricos.
Mas o acordo estabeleceu potenciais confrontos nos próximos dois meses sobre cortes de gastos e um aumento no limite de empréstimo da nação.
Os republicanos, zangados porque o acordo de "abismo fiscal" pouco fez para conter o déficit federal, prometeram usar o debate do teto da dívida para obter cortes de gastos mais profundos da próxima vez.
Os republicanos acreditam que terão uma influência maior sobre o democrata Obama quando tiverem que considerar o aumento do limite de empréstimo em fevereiro, porque o fracasso em fechar um acordo pode significar o calote da dívida norte-americana ou outro rebaixamento na nota de crédito do país. Um confronto similar em 2011 levou a um rebaixamento do crédito.
"A nossa oportunidade, aqui, é o teto da dívida", disse o senador republicano Pat Toomey da Pensilvânia na MSNBC. "Nós, republicanos, precisamos estar dispostos a tolerar um desligamento parcial e temporário do governo, que é o que isso poderia significar".
Mas Obama e os congressistas democratas podem ser encorajados pela vitória na primeira rodada de batalhas fiscais, quando dezenas de deputados republicanos cederam e votaram por aumentos importantes de impostos pela primeira vez em duas décadas.
"Acreditamos que a aprovação dessa legislação reforça bastante a vantagem do presidente nas negociações que virão", disse a líder da minoria na Câmara, Nancy Pelosi, à NBC em uma entrevista que foi ao ar na quinta-feira. Continuação...

