3 de Janeiro de 2013 / às 21:33 / 5 anos atrás

Fed se apega a compra de ativos apesar de dúvidas internas crescentes

WASHINGTON, 3 Jan (Reuters) - Autoridades do Federal Reserve (banco central norte-americano) estão cada vez mais preocupadas com os potenciais riscos das compras de ativos pelo banco central no mercado financeiro, mas parecem prontas a dar continuidade ao programa de estímulo, por enquanto.

A ata da reunião de dezembro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) mostrou crescente reticência em relação ao aumento adicional do balanço patrimonial de 2,9 trilhões de dólares do banco, e que se expandiu fortemente em resposta à crise financeira e à recessão de 2007-2009.

"Vários (membros do Fomc) acharam que seria provavelmente apropriado reduzir ou interromper a compra de ativos bem antes do fim de 2013, citando preocupações com a estabilidade financeira ou o tamanho do balanço do banco", afirmou a ata.

Wall Street sentiu o impacto da ata, com as ações ampliando perdas depois da divulgação do documento, enquanto o dólar estendeu seus ganhos frente ao euro.

"A ata da reunião de dezembro do Fed revelou um nível surpreendente de preocupação entre as autoridades do banco central sobre o impacto de longo prazo do programa de compra de ativos, ou 'quantitative easing'", disse o analista-chefe de mercado da Commonwealth Foreign Exchange, em Washington, Omer Esiner.

Ainda assim, provavelmente o Fed continuará comprando ativos em um futuro próximo, tendo anunciado em dezembro a extensão de suas aquisições mensais de 40 bilhões de dólares em títulos hipotecários e 45 bilhões de dólares em títulos do Tesouro norte-americano.

Poucos membros do Fomc com direito a voto nas decisões de política monetária do Fed acharam que a compra de ativos deveria ser garantida até por volta do fim de 2013. Outros poucos reforçaram a necessidade de um estímulo adicional em larga escala, mas não especificaram tamanho ou prazo.

Os membros do Fed concordaram, em geral, que as perspectivas do mercado de trabalho não deveriam melhorar sem um impulso das autoridades monetárias.

A economia norte-americana se expandiu em respeitáveis 3,1 por cento no terceiro trimestre em base anualizada, mas o crescimento deve ter perdido força drasticamente, para pouco acima de 1 por cento, nos últimos três meses do ano.

Dados divulgados nesta quinta-feira mostraram um ganho sólido de 215 mil novos postos de trabalho no setor privado em dezembro, enquanto analistas ouvidos pela Reuters na semana passada estimam crescimento de 150 mil postos nos dados oficiais do Departamento do Trabalho a serem divulgados nesta sexta-feira.

No encontro de dezembro, o Fed também lançou um novo modelo de referências numéricas que supostamente devem dar aos mercados uma ideia mais clara de como as autoridades reagirão a indicadores econômicos.

Os membros do Fomc dizem que manterão as taxas de juros perto de zero até o desemprego cair para 6,5 por cento, e enquanto as estimativas de médio prazo para a inflação não ultrapassarem 2,5 por cento.

A ata sugeriu que as autoridades levaram algum tempo para construir um consenso sobre a ideia.

A taxa de desemprego dos EUA caiu de forma constante depois de atingir um pico de 10 por cento no final de 2009, mas permanece elevada em 7,7 por cento.

Autoridades do Fed ainda citaram preocupações sobre o "abismo fiscal", conjunto de aumentos de impostos e cortes de gastos automáticos que foi parcialmente evitado com um acordo político no início desta semana.

Reportagem de Pedro da Costa

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