Protesto contra censura a jornal resulta em confusão na China
Por James Pomfret
GUANGZOU, China, 8 Jan (Reuters) - A polícia chinesa interveio para apartar brigas em frente à sede de um influente semanário de Cantão, na terça-feira, enquanto as autoridades comunistas sinalizam uma posição mais dura contra jornalistas que desafiam a censura oficial.
Pelo segundo dia consecutivo, uma multidão se reuniu em frente ao prédio do liberal Semanário do Sul, protagonista de uma rara e significativa revolta contra o controle das autoridades sobre a imprensa em Guangdong, a mais próspera e liberal província chinesa.
Guangdong foi o berço das reformas iniciadas há três décadas e que levaram a China ao status de segunda maior economia mundial. A reação do partido ao impasse serve como termômetro para as eventuais inclinações reformistas do novo líder do país, Xi Jinping.
As brigas aconteceram quando simpatizantes do jornal, publicado às quintas-feiras, vaiaram e empurraram um pequeno grupo de manifestantes de esquerda que carregavam pôsteres do falecido dirigente Mao Tse-tung e cartazes qualificando o Semanário do Sul como "jornal traidor", por desafiar o regime do Partido Comunista.
"Essas pessoas são agitadores pagos do governo, distorcendo a verdade com propaganda. Tínhamos de fazer algo a respeito", disse o manifestante Cheng Qiubo, da ala pró-liberdade de imprensa.
Dezenas de policiais precisaram intervir, mas os protestos foram autorizados a continuar. Dois técnicos com uma escada tentaram instalar uma câmera de vigilância no galho de uma árvore da rua, mas foram prontamente cercados por uma multidão enfurecida, e desistiram.
O impasse no Semanário do Sul, tradicionalmente visto como um farol do jornalismo independente e aprofundado na China, começou no final da semana passada, quando repórteres da publicação acusaram censores de substituir uma carta de Ano Novo aos leitores, que defendia a instauração de um governo constitucional, por um texto que louvava os feitos do Partido Comunista.
Vários manifestantes foram chamados a delegacias locais para serem interrogados, segundo uma blogueira conhecida como Ran Xiang JieJie, que apontou nisso uma sutil "intimidação" contra os ativistas. Continuação...

