9 de Janeiro de 2013 / às 16:32 / em 5 anos

PGR ainda analisará depoimento de Valério sobre Lula, diz comunicado

BRASÍLIA, 9 Jan (Reuters) - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ainda não iniciou a análise do depoimento prestado pelo empresário Marcos Valério em setembro, envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e não há decisão sobre possível investigação, afirmou em nota nesta quarta-feira a assessoria do Ministério Público Federal.

Procurador-geral da República, Roberto Gurgel, vai à sessão do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, em outubro de 2012. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, iniciará na próxima semana a análise do depoimento do empresário Marcos Valério prestado em setembro. 23/10/2012 REUTERS/Ueslei Marcelino

A nota nega informação veiculada pelo jornal O Estado de S.Paulo desta quarta de que Gurgel já teria decidido enviar o caso para a primeira instância, onde o ex-presidente Lula seria investigado a partir de afirmações de Valério --condenado pelo Supremo Tribunal Federal por ser o operador do mensalão-- de que o esquema pagou despesas pessoais do ex-presidente.

A nota diz que Gurgel “ainda não iniciou a análise do depoimento de Marcos Valério, pois aguardava o término do julgamento da AP 470 (mensalão)”. O texto “esclarece ainda que somente após a análise poderá informar o que será feito com o material”.

Mas uma fonte familiarizada com o assunto disse à Reuters, sob a condição de anonimato, que Gurgel, que está em férias e retorna ao trabalho na próxima semana, enviará mesmo o caso à primeira instância. Como Lula não tem mais foro privilegiado, a investigação ocorreria na primeira instância.

A fonte ponderou que isso, por si só, não significa que vá ocorrer uma investigação.

Segundo informações divulgadas pelo jornal anteriormente, Valério disse no depoimento que Lula sabia das negociações do esquema de compra de apoio político no Congresso. O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que, segundo o STF, formavam o núcleo político do mensalão, foram condenados pela corte.

Gurgel enviou no último ano à primeira instância acusações de que Lula teria pressionado ministros do STF a não julgarem o mensalão antes das eleições municipais, caso que acabou arquivado pelo Ministério Público do Distrito Federal.

A assessoria de Lula afirmou à Reuters que ele não irá se manifestar até uma decisão oficial de Gurgel. Já o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, divulgou nota lamentando o teor da reportagem do jornal.

“Lamento profundamente que o jornal tenha induzido ao erro seus leitores e outros órgãos da imprensa, já que não há hoje nenhuma decisão oficial sobre o assunto por parte da Procuradoria Geral da República, de acordo com manifestação oficial do órgão desmentindo a matéria”, escreveu Okamotto.

OPOSIÇÃO REAGE

Para lideranças da oposição, o possível envio para a primeira instância do processo significaria que o procurador-geral viu indícios de crime nas novas declarações de Valério.

“Queremos que o procurador-geral dê seguimento ao pedido que fizemos de investigação, sem prejulgamentos”, afirmou o presidente do DEM, Agripino Maia (RN).

Para o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), se as denúncias não forem consistentes, “o ex-presidente Lula certamente saberá tirar proveito desta situação”.

“A sociedade exige a apuração dos fatos, não é admissível que este esqueleto fique no armário por mais tempo”, disse Dias.

Reportagem de Ana Flor, com reportagem adicional de Maria Carolina Marcello

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