9 de Janeiro de 2013 / às 22:14 / em 5 anos

Governo vê volta das chuvas e estuda reduzir impacto de térmica na tarifa

Por Leonardo Goy

BRASÍLIA, 9 Jan (Reuters) - O governo federal confia na chegada das chuvas para elevar o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas e na capacidade das térmicas para suprir a oferta de energia, após uma aguardada reunião de autoridades terminar sem medidas para ampliar a segurança do sistema elétrico brasileiro nesta quarta-feira.

“Temos ainda reservas, diversas térmicas que podemos despachar se houver necessidade, que eu acho que não haverá”, disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, após reunião do ordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).

Segundo ele, todas as medidas de segurança do setor elétrico estão em prática: “São o que sempre houve, o que sempre deu certo”.

As declarações ocorrem em meio a temores no mercado de um possível racionamento de energia, com os reservatórios das hidrelétricas nos menores níveis em uma década.

Lobão fez questão de frisar que o encontro do colegiado do CMSE foi rotineiro e já estava programado. “A reunião não tem nada de especial. Foi marcada em 17 de dezembro, não foi convocada de emergência”, disse Lobão, que voltou a descartar a possibilidade de racionamento de energia.

Além da aposta no aumento do volume das chuvas para deixar a situação dos reservatórios mais favorável, o governo diz ter mais 1 mil megawatts (MW) de termelétricas existentes a despachar, incluindo Uruguaiana, recentemente autorizada a operar.

A energia térmica --mais cara e usada em momentos de estiagem-- pode ter um efeito máximo de 3 por cento de aumento na tarifa em 2014, caso o uso total dessa fonte se estenda até o fim deste ano, algo que o governo avalia ser pouco provável de acontecer, segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp.

As declarações das autoridades deram um alívio às empresas elétricas com ações na Bovespa. O IEE, índice do setor de energia na Bovespa, terminou a quarta-feira na máxima da sessão, com valorização de 2,44 por cento, recuperando parte das perdas vistas nos quatro pregões anteriores.

“A hidrologia já se configura favorável, segundo institutos de meteorologia que contratamos. Todos eles estão configurando o que estamos vendo hoje, de previsão de chuva na média no Sudeste e Sul e Nordeste na média ou abaixo da média”, disse Chipp.

Os principais reservatórios do país estão atualmente no pior nível de armazenagem dos últimos 10 anos. No sistema Sudeste/Centro-Oeste, por exemplo, eles estavam em 28,32 por cento na terça-feira.

O diretor-geral do ONS disse que se houver a confirmação da retomada das chuvas, a maior parte das termelétricas poderá ser desligada antes mesmo do fim do período úmido, em abril. Caso isso se confirme, a influência do uso das térmicas será mínima na conta de luz.

Mesmo no pior cenário, o impacto na tarifa pode ser atenuado, uma vez que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estuda alternativas para que o consumidor não pague sozinho o custo das termelétricas em operação, segundo Chipp.

Essa seria uma maneira de evitar que a redução média de 20 por cento na conta de luz anunciada pela presidente Dilma Rousseff no ano passado --por meio da renovação antecipada e onerosa de concessões do setor elétrico, aportes do Tesouro e redução de encargos-- seja afetada pelo acionamento das termelétricas.

Segundo Lobão, a diminuição na tarifa de energia entrará em vigor em fevereiro, como prometido por Dilma.

MAIS TÉRMICAS E HIDRELÉTRICAS

O ONS estima que cerca de 3 mil megawatts serão agregados ao sistema elétrico nacional até abril. “Temos térmicas a carvão da MPX, em Pecém, temos a térmica da Petrobras em Suape e temos as usinas de Maranhão IV e V”, disse Chipp.

Até o fim de 2013, o aumento total da oferta de energia nova deve chegar a 8,5 mil MW, incluindo nessa conta turbinas das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira (RO). “Isso é mais do que necessitamos”, disse Lobão.

O ministro de Minas e Energia descartou ainda que ocorra falta de gás natural para a indústria, diante do uso do combustível para abastecer as termelétricas acionadas para poupar água nos reservatórios das hidrelétricas. “Não há a menor possibilidade de haver desabastecimento da indústria”, assegurou.

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