10 de Janeiro de 2013 / às 14:17 / em 5 anos

Ex-executivos do UBS são acusados de "incrível" ignorância

Parlamentares britânicos consideraram o fato de ex-executivos do UBS não terem identificado fraude na Libor uma "incrível" ignorância. 19/12/2012Michael Buholzer

LONDRES/ZURIQUE (Reuters) - Legisladores britânicos acusaram os ex-chefes do banco suíço UBS de "incrível" ignorância nesta quinta-feira por não descobrirem um esquema generalizado de manipulação de juros na instituição.

O UBS foi multado em 1,5 bilhão de dólares no mês passado por manipulação da taxa de juros interbancária Libor, o último de uma série de escândalos, incluindo uma perda de 2,3 bilhões de dólares em negociações não autorizadas e evasão fiscal nos Estados Unidos que atingiram a reputação do grupo.

Quatro ex-executivos do UBS, incluindo o ex-presidente-executivo Marcel Rohner, disseram à comissão parlamentar britânica que investiga os padrões bancários que a primeira vez que eles tomaram conhecimento sobre o envolvimento do banco na manipulação da Libor foi através de reportagens da imprensa em 2011.

Todos eles estavam encarregados pela unidade de banco de investimento durante parte do período em que a manipulação, que remonta a 2005, ocorreu.

"O nível de ignorância parece incrível, a ponto de incredulidade", disse o presidente da Comissão Parlamentar de Normas Bancárias (PCB, na sigla em inglês), Andrew Tyrie, que foi criada após o escândalo da Libor.

Rohner disse que estava "chocado" e "envergonhado" quando leu sobre o esquema, mas disse que durante seu período como presidente-executivo estava tentando evitar que o banco entrasse em colapso e que não sabia da manipulação. Ele negou que sua administração tivesse sido negligente.

"O período em que eu presidi a instituição foi tão extremo que eu estava lutando permanentemente pela sobrevivência", disse o executivo de nacionalidade suíça. "Eu fiz o melhor que eu pude."

Rohner foi presidente-executivo durante 20 meses turbulentos entre 2007 e 2009, quando o UBS teve de pressionar repetidamente acionistas por dinheiro, enquanto foi forçado a fazer baixas contábeis de 50 bilhões de dólares relacionadas a hipotecas, durante a crise financeira global.

O executivo de 48 anos, que algumas vezes se mostrou confuso pelo agressivo questionamento dos parlamentares, não voltou a uma rotina de trabalho em tempo integral desde que saiu do cargo.

Na quarta-feira, o novo presidente da unidade de banco de investimento ressaltou como o grupo está trabalhando para recuperar sua reputação. A instituição está cortando 10 mil empregos e fechando a maior parte da divisão de renda fixa para se concentrar em negócios de private banking.

ROUBO

Investigações de reguladores britânicos, suíços e norte-americanos revelaram o esquema de manipulação da taxa de juros no que as autoridades dos Estados Unidos consideraram um escândalo "épico".

Corretores e gestores do UBS conspiraram com outros corretores para articularem as taxas de juros para ganhar dinheiro. Segundo a investigação, eles abertamente se vangloriaram sobre o esquema em emails e salas de bate-papo eletrônico. Cinco auditorias internas não conseguiram detectar o que estava acontecendo.

A Libor é usada como referencial de precificação de trilhões de dólares em empréstimos. Mesmo pequenas imprecisões na taxa afetam retornos de investimentos e custos de empréstimos, o que implica que o UBS e outros bancos envolvidos no escândalo podem enfrentar processos civis.

Sob intenso questionamento, Jerker Johansson, que dirigiu o banco de investimento do UBS por pouco mais de um ano a partir de 2008, admitiu que a administração foi negligente em não detectar o esquema. Ele afirmou que a manipulação foi equivalente a roubo.

Mais de uma dúzia de bancos estão sob investigação e novos acordos com autoridades devem ocorrer neste ano. O Barclays pagou multa de 453 milhões de dólares por sua participação no ano passado.

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