11 de Janeiro de 2013 / às 11:58 / 5 anos atrás

Premiê do Japão lança pacote e quer meta de inflação mais alta

Premiê japonês, Shinzo Abe, fala durante coletiva de imprensa em sua residência oficial, em Tóquio. 11/01/2013Issei Kato

Por Stanley White e Leika Kihara

TÓQUIO, 11 Jan (Reuters) - O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, lançou a maior ofensiva do seu primeiro mês de governo para estimular a geração de empregos e o crescimento econômico ao aprovar um pacote de gastos públicos no valor de 117 bilhões de dólares.

Sob intensa pressão de Abe, o Banco do Japão (Banco Central) deve adotar uma meta inflacionária de 2 por cento na sua próxima reunião, em 21 e 22 de janeiro, duplicando a atual meta, além de cogitar um novo afrouxamento da política monetária, segundo fontes ouvidas nesta semana pela Reuters.

A conta corrente do governo japonês, geralmente superavitária, oscilou em novembro para um raro e pesado déficit, o que ajudou a levar o iene à sua menor cotação frente ao dólar em dois anos e meio, e deixou clara a necessidade de um estímulo econômico para fazer frente à desaceleração das exportações.

A receita de Abe para tirar o Japão de vários anos de deflação é fazer grandes gastos públicos e orientar o BC a comprar títulos da dívida governamental. Mas há riscos já que o país é um dos mais endividados entre as grandes economias mundiais.

"Uma ousada flexibilização monetária é essencial para derrotar a deflação e o iene forte", disse Abe ao divulgar o pacote de 10,3 trilhões de ienes (117 bilhões de dólares) em obras públicas, incentivos a investimentos corporativos e socorro financeiro a pequenas empresas.

Levando-se em conta também gastos de governos locais e do setor privado, o pacote chega a 20,2 trilhões de ienes, segundo fontes do governo.

As autoridades esperam que isso contribua para elevar o crescimento econômico em 2 pontos percentuais, e gerar 600 mil empregos.

Depois da vitória do Partido Liberal Democrático nas eleições gerais do mês passado, Abe definiu como principal prioridade adotar uma política monetária agressiva que reverta quase 20 anos de deflação no Japão.

Em entrevista na sexta-feira ao jornal econômico Nikkei, ele repetiu seu apelo para que a autoridade monetária incorpore ao seu mandato também a geração de empregos, como já faz o Federal Reserve (BC dos EUA), único Banco Central importante a priorizar controle inflacionário e criação de postos de trabalho.

O BC japonês se opõe fortemente à incorporação da geração de empregos entre suas atribuições, temendo que isso lhe deixe de mãos atadas no futuro. No entanto, o banco central poderia aceitar uma declaração segundo a qual a criação de empregos seria um objetivo seu partilhado com o governo, segundo fontes familiarizadas com essa negociação.

"Acho que o BC pode responder aos apelos de Abe sobre o emprego dentro do atual legislação do banco, ao colocar um pouco mais de ênfase no emprego em suas previsões", disse Hiroshi Miyazaki, economista-chefe da Shinkin Asset Management, em Tóquio.

"Mas, quando se trata de inflação, é realmente difícil fazer os preços ao consumidor subirem 2 por cento em curto prazo. Os preços estão cerca de um ano atrasados em relação à economia, e estamos em recessão desde o ano passado."

A declaração conjunta que está sendo negociada pelo governo e por funcionários do BC japonês deve incluir a meta inflacionária de 2 por cento, e uma promessa de manter uma política monetária agressiva contra a deflação, segundo fontes.

Mas é improvável que o documento estabeleça um prazo específico para o cumprimento da meta, ou que deixe alguma flexibilidade para que o Banco Central oriente a política monetária. Abe, porém, disse ao Nikkei que adotar essa meta não fará sentido se ela tiver um prazo longo demais.

O BC também espera salientar na declaração que a meta inflacionária é um compromisso de longo prazo, que só será alcançado se as medidas de abrandamento monetário forem acompanhadas por esforços do governo para estimular o crescimento econômico, o que incluiria uma desregulamentação, segundo fontes.

A opinião pública parece admitir que domar a deflação não será fácil. Pesquisa trimestral feita pelo BC e divulgada na sexta-feira mostra que 53 por cento dos entrevistados preveem aumento de preços ao longo dos próximos anos. Na edição anterior da pesquisa, 62 por cento tinham essa expectativa.

Reportagem adicional de Tetsushi Kajimoto e Kaori Kaneko

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