Premiê do Japão lança pacote e quer meta de inflação mais alta

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 10:03 BRST
 

Por Stanley White e Leika Kihara

TÓQUIO, 11 Jan (Reuters) - O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, lançou a maior ofensiva do seu primeiro mês de governo para estimular a geração de empregos e o crescimento econômico ao aprovar um pacote de gastos públicos no valor de 117 bilhões de dólares.

Sob intensa pressão de Abe, o Banco do Japão (Banco Central) deve adotar uma meta inflacionária de 2 por cento na sua próxima reunião, em 21 e 22 de janeiro, duplicando a atual meta, além de cogitar um novo afrouxamento da política monetária, segundo fontes ouvidas nesta semana pela Reuters.

A conta corrente do governo japonês, geralmente superavitária, oscilou em novembro para um raro e pesado déficit, o que ajudou a levar o iene à sua menor cotação frente ao dólar em dois anos e meio, e deixou clara a necessidade de um estímulo econômico para fazer frente à desaceleração das exportações.

A receita de Abe para tirar o Japão de vários anos de deflação é fazer grandes gastos públicos e orientar o BC a comprar títulos da dívida governamental. Mas há riscos já que o país é um dos mais endividados entre as grandes economias mundiais.

"Uma ousada flexibilização monetária é essencial para derrotar a deflação e o iene forte", disse Abe ao divulgar o pacote de 10,3 trilhões de ienes (117 bilhões de dólares) em obras públicas, incentivos a investimentos corporativos e socorro financeiro a pequenas empresas.

Levando-se em conta também gastos de governos locais e do setor privado, o pacote chega a 20,2 trilhões de ienes, segundo fontes do governo.

As autoridades esperam que isso contribua para elevar o crescimento econômico em 2 pontos percentuais, e gerar 600 mil empregos.

Depois da vitória do Partido Liberal Democrático nas eleições gerais do mês passado, Abe definiu como principal prioridade adotar uma política monetária agressiva que reverta quase 20 anos de deflação no Japão.   Continuação...

 
Premiê japonês, Shinzo Abe, fala durante coletiva de imprensa em sua residência oficial, em Tóquio. 11/01/2013 REUTERS/Issei Kato