11 de Janeiro de 2013 / às 18:58 / em 5 anos

Vice-presidente da Venezuela visita novamente Chávez em Cuba

CARACAS, 11 Jan (Reuters) - O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, viaja nesta sexta-feira a Cuba para visitar o presidente Hugo Chávez, internado há mais de um mês no país por causa de uma cirurgia contra o câncer, a quarta em 18 meses.

Chávez, de 58 anos, não é visto nem ouvido em público desde a cirurgia e sofreu várias complicações pós-operatórias, incluindo uma severa infecção pulmonar.

Ele faltou à própria posse, na quinta-feira, mas a Suprema Corte disse que ele poderá tomar posse posteriormente, o que teoricamente significa que ele pode permanecer no cargo durante semanas ou meses num hospital de Havana. Não há evidência concreta de que ele esteja consciente.

“Vou dar ao nosso comandante-em-chefe a boa notícia sobre como o povo está trabalhando, fazendo a revolução com coragem, disciplina e entusiasmo”, disse Maduro pela televisão.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, amiga e aliada do líder socialista, também estava em Cuba nesta sexta-feira e disse que pretendia levar uma Bíblia a Chávez.

Falando a repórteres no famoso Hotel Nacional, em Havana, ela anunciou um almoço com o presidente cubano, Raúl Castro, e o líder Fidel Castro, e, então, um provável encontro com familiares de Chávez.

“Essa não é uma viagem para fazer comentários ou dar entrevistas, mas simplesmente de solidariedade e amizade com alguém que é um amigo”, disse Cristina.

Maduro disse que o presidente do Peru, Ollanta Humala, a quem chamou de “camarada em armas” de Chávez, também visitou Havana nesta sexta-feira.

Humala afirmou que estava em Havana para assinar vários acordos, mas que ele também perguntaria sobre o estado clínico de Chávez.

“Todos nós esperamos... uma rápida melhora”, disse o líder peruano na chegada ao aeroporto.

SILÊNCIO DE CHÁVEZ

Ao contrário do que ocorreu depois das cirurgias anteriores de Chávez em Cuba, o governo desta vez não publicou fotos nem vídeos mostrando a recuperação dele. Em sua visita anterior a Caracas, em 24 de dezembro, Maduro disse que conversou com Chávez por telefone e pessoalmente, mas a notícia foi recebida com ceticismo por muitos na Venezuela.

Além do mais, Chávez, habituado a proferir longos discursos em seus 14 anos no poder, desta vez não fez nenhum dos seus frequentes telefonemas à TV estatal venezuelana, o que leva muitos no país a acreditar que ele pode estar chegando ao fim.

Maduro, ex-motorista de ônibus e sindicalista radical, substitui Chávez nos assuntos cotidianos do governo, até que haja clareza sobre se e quando o presidente irá regressar.

Ele tem se empenhado em imitar a bombástica retórica do chefe, mas não tem o mesmo carisma do presidente, que veio de uma origem humilde para se tornar um dos mais conhecidos chefes de Estado do mundo.

Líderes oposicionistas criticaram o adiamento da posse de Chávez, apontando uma manipulação da Constituição por parte do chavismo. Eles dizem que, diante da ausência do presidente na própria posse, uma nova eleição deveria ser convocada.

Chávez foi reeleito em outubro.

Reportagem de Daniel Walllis e Diego Oré

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