Egito abre velha ferida com novo julgamento de Mubarak

domingo, 13 de janeiro de 2013 14:03 BRST
 

Por Marwa Awad e Maria Golovnina

CAIRO, 13 Jan (Reuters) - O Egito ordenou um novo julgamento do presidente deposto, Hosni Mubarak, neste domingo, depois de aceitar um recurso contra sua sentença de prisão perpétua, abrindo uma velha ferida na transição dolorosa após décadas de um regime autoritário.

Mubarak, 84 anos, foi deposto em 2011, após 30 anos no poder e condenado à prisão perpétua no ano passado pela morte de manifestantes pelas forças de segurança, que tentavam sufocar uma revolta de rua em massa.

Ele foi o primeiro governante árabe a ser levado a tribunal por seu próprio povo.

Um tribunal egípcio aceitou o recurso do ex-presidente deposto Hosni Mubarak e de seu ex-ministro do Interior, enquanto o Egito se prepara para o segundo aniversário do levante de 25 de janeiro.

O novo julgamento deverá agitar as emoções e pode mergulhar o governo do novo presidente Mohamed Mursi em águas perigosas, enquanto ele tenta restaurar a lei e a ordem e uma economia destruída.

A economia do Egito continua enfrentando problemas conforme país se prepara para uma eleição parlamentar nos próximos meses. A ansiedade sobre a economia é forte depois de protestos, muitas vezes violentos, no final de 2012, levando os cidadãos à sacarem poupanças.

Durante o julgamento de Mubarak de 10 meses, muitos manifestantes acusaram os generais então vigentes e funcionários, vistos como leais ao presidente deposto, de protegê-lo. Um novo julgamento pode reviver pedidos de afastamento daqueles vistos como remanescentes da era antiga.

"O tribunal decidiu aceitar o recurso interposto pelos réus... e ordens de um novo julgamento", informou o juiz Ahmed Ali Abdel Rahman.

Multidões de partidários de Mubarak presentes na audiência gritaram "Deus é o maior", aplaudindo e assobiando quando o juiz leu a sentença do recurso. Grupos de torcedores alegres também foram vistos distribuindo doces no centro do Cairo.

A saúde de Mubarak e o seu destino são debatidos intensamente no Egito, como as pessoas tentam virar uma página em décadas de seu governo punho de ferro e da turbulência política que se seguiu a sua queda.

 
Apoiador do presidente egípcio deposto Hosni Mubarak segura sua foto do lado de fora do Hospital das Forças Armadas Maadi, onde Mubarak está atualmente detido, no Cairo. 13/01/2013 REUTERS/Mohamed Abd El Ghany