França diz ter apoio da Argélia para intervenção no Mali

domingo, 13 de janeiro de 2013 17:57 BRST
 

SÃO PAULO, 13 Jan (Reuters) - A Argélia permitiu que a França use plenamente seu espaço aéreo na intervenção militar francesa contra os rebeldes islamistas no Mali e está preparada para bloquear sua fronteira se o conflito rumar para o norte, disse o chanceler francês Laurent Fabius, neste domingo.

Fabius declarou que vem mantendo contato regular com o governo na Argélia e está agradecido pela solidariedade do país na operação. A Argélia vinha pressionando por uma solução política para a crise no Mali em detrimento de uma intervenção militar.

"A Argélia autorizou acesso ilimitado nos sobrevoos em seu território, algo a que agradeço às autoridades argelinas", disse Fabius à TV LCI, enquanto jatos franceses Rafale bombardeavam redutos rebeldes no norte do Mali.

"Falamos regularmente com a Argélia. Quero destacar a nossa colaboração. O que nós vislumbramos, embora não seja para hoje, é que se as tropas africanas seguirem na direção do norte, os argelinos teriam de fechar sua fronteira", disse ele.

A Argélia tem 2 mil quilômetros de fronteira com o Mali e teme que uma ofensiva militar possa empurrar militantes da Al Qaeda para o sul argelino e ainda desencadeie uma crise de refugiados, se os tuaregues malianos se deslocarem do norte do Mali para a Argélia.

Em declaração à Reuters, uma fonte do setor de segurança da Argélia familiarizada com a situação disse acreditar que a fronteira já estaria fechada.

A Argélia, influente potência regional e importante exportadora de gás e petróleo, vem pressionando por uma solução diplomática para o Mali, em vez da intervenção militar que será liderada pelo bloco Ecowas, formado por países do oeste africano.

Ao mesmo tempo, o governo argelino tem travado uma longa campanha contra militantes islamistas no seu território e os rebeldes no Mali mantém reféns três diplomatas argelinos.

Fabius disse que depois de uma visita de dois dias a Argel iria conversar com o primeiro-ministro ministro maliano.

(Reportagem de Catherine Bremer em Paris e Lamine Chikhi em Argel)