ANÁLISE-Obama encurrala oposição com alerta sobre teto da dívida

terça-feira, 15 de janeiro de 2013 10:55 BRST
 

Por David Lawder

WASHINGTON, 15 Jan (Reuters) - Os parlamentares republicanos dos EUA, frustrados por não conseguirem até agora convencer o presidente Barack Obama a reduzir gastos públicos, repentinamente se veem obrigados a lutar para preservar aquele que consideravam ser seu maior trunfo: a ameaça de barrar a ampliação do teto de endividamento do governo a partir do mês que vem.

Isso ficou claro na segunda-feira, quando Obama usou a última entrevista coletiva do seu primeiro mandato para apresentar de forma incisiva os problemas que a nação enfrentaria caso o governo seja proibido de contrair mais empréstimos.

Em vez de esmiuçar o impacto de uma moratória sobre as notas de crédito do país, algo que muita gente não consegue entender plenamente, Obama falou dos atrasos nos pagamentos a soldados, pensionistas e controladores de tráfego aéreo caso os republicanos cumpram suas ameaças.

"Se os parlamentares republicanos se recusarem a pagar as contas da América em dia, os cheques da Seguridade Social e dos benefícios para veteranos ficarão atrasados", disse ele. "Podemos não ser capazes de pagar nossos soldados, ou honrar nossos contratos com os pequenos empresários. Inspetores de alimentos, controladores de tráfego aéreo e especialistas que monitoram material nuclear à solta não vão receber seus contracheques."

"Os mercados poderiam ficar desordenados", prosseguiu. "As taxas de juros iriam disparar para qualquer um que tome dinheiro emprestado -- todo mutuário com uma hipoteca, todo estudante com um crédito educacional, todo pequeno empresário que deseje crescer e contratar."

Em lugar de tentar explicar como a não ampliação do teto da dívida impactaria o crédito, o presidente comparou isso a comer "tudo o que você quiser" num restaurante e então sair "sem pagar a conta".

A escalada (e simplificação) da retórica de Obama obedece à sua tática de criar uma grande polêmica em torno da ampliação do teto da dívida, tornando-a assim inegociável.

Dissociando essa questão do atual debate sobre os gastos públicos, ele poderia então passar para as controvérsias seguintes: as negociações sobre os cortes automáticos dos gastos públicos, adiados por dois meses no acordo de janeiro que evitou o "abismo fiscal", e o debate menos volátil no final de março sobre como manter o financiamento do governo.   Continuação...

 
Republicanos ameaçam barrar ampliação do teto do endividamento dos Estados Unidos se presidente Barack Obama não reduzir gastos públicos. 14/01/2013. REUTERS/Jonathan Ernst