Nova Cedae desiste de IPO por incertezas com setores regulados

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013 19:13 BRST
 

Por Sabrina Lorenzi

RIO DE JANEIRO, 16 Jan (Reuters) - A Nova Cedae, empresa estatal de saneamento do Rio de Janeiro, desistiu de realizar neste momento sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), disse à Reuters nesta quarta-feira uma fonte a par da operação.

As atuais condições de mercado e as incertezas sobre setores regulados como o de saneamento --trazidas com o processo de renovação das concessões do setor elétrico em 2012-- motivaram a desistência, segundo a fonte, que falou sob condição de anonimato. A fonte disse ainda que a Nova Cedae pretende retomar o IPO em até 12 meses.

O cancelamento do IPO da Nova Cedae foi noticiado primeiro pelo IFR, um serviço da Thomson Reuters.

Segundo o IFR, que citou uma fonte ligada a um banco de investimento, a decisão da Nova Cedae por não realizar o IPO agora ocorreu depois de conversas preliminares com investidores potenciais nos últimos dias.

A Nova Cedae é a segunda empresa a desistir de um IPO na Bovespa em 2013. Na terça-feira, a Vix Logística confirmou ter pedido à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) cancelamento do registro para uma oferta primária e secundária de ações, citando condições desfavoráveis no mercado. A Reuters havia antecipado na semana passada a decisão da Vix de não seguir adiante com seu IPO.

As desistências dos IPOs representam um revés para o mercado de capitais. Profissionais vinham afirmando que há um cenário mais favorável para ofertas de ações do que em 2012, diante de juros menores, arrefecimento da crise europeia e perspectiva de retomada da economia mundial.

No ano passado, ocorreram apenas três IPOs no Brasil, o pior resultado em uma década.

OPERAÇÃO DE R$1,6 BI

A intenção da Nova Cedae era precificar o IPO no fim de janeiro ou começo de fevereiro, em uma operação estimada em cerca de 1,6 bilhão de reais.

Os coordenadores do IPO da Nova Cedae eram BTG Pactual, Bank of America Merrill Lynch, Banco do Brasil e Bradesco. A empresa queria levar ao mercado entre 25 e 48 por cento de seu capital, conforme o IFR.