Sequestro de estrangeiros no Saara dá caráter global a guerra no Mali

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013 09:33 BRST
 

Por Lamine Chikhi e Bate Felix

ARGEL/BAMAKO, 17 Jan (Reuters) - Combatentes islâmicos abriram uma frente internacional na guerra civil malinesa, ao fazerem dezenas de reféns ocidentais em um complexo de gás no deserto argelino, enquanto tropas francesas iniciavam uma ofensiva contra os rebeldes no vizinho Mali.

Mais de 24 horas depois da invasão de homens armados na instalação de extração de gás e no alojamento anexo, na madrugada de quarta-feira, pouco se sabe além da declaração do grupo que se autointitula "Batalhão de Sangue", que diz manter 41 estrangeiros como reféns, inclusive japoneses, norte-americanos e europeus, na localidade de Titantourine, nas profundezas do Saara.

A emissora de TV France 24 disse, citando um dos reféns com quem falou por telefone, que os sequestradores estão fortemente armados e que ameaçaram explodir a instalação se o Exército argelino tentar libertar os reféns. De acordo com a emissora, citando o refém que pediu anonimato, alguns deles foram obrigados a vestir cinturões com explosivos.

O chanceler britânico, William Hague, confirmou que um cidadão do seu país foi morto e que vários outros estão como reféns. A imprensa argelina disse que um argelino foi morto no ataque. Outra reportagem local dá conta da morte de um francês.

O número preciso e as nacionalidades dos reféns estrangeiros não puderam ser confirmados.

Os militantes dizem ter sete norte-americanos em seu poder -- cifra que autoridades dos EUA afirmaram não ter como confirmar. A estatal petrolífera norueguesa Statoil disse que nove funcionários noruegueses e três argelinos foram sequestrados. A imprensa do Japão informou que cinco japoneses a serviço da firma de engenharia JGC também estão como reféns.

"Essa é uma situação perigosa e que se desenvolve rapidamente", disse Hague a jornalistas em Sydney na quinta-feira, acrescentando que funcionários diplomáticos no país estão sob segurança reforçada.

O secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, tratou de "assegurar ao povo norte-americano que os Estados Unidos vão tomar todas as medidas necessárias e adequadas que sejam necessárias para lidar com essa situação.   Continuação...

 
Soldados malineses observam durante visita do presidente Dioncounda Traore às tropas francesas em base aérea de Bamako, no Mali. 16/01/2013 REUTERS/Joe Penney