Brasil espera que Venezuela resolva situação política "sem sobressaltos", diz Patriota

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013 20:52 BRST
 

SÃO PAULO, 17 Jan (Reuters) - O governo brasileiro quer que a Venezuela resolva sua complicada situação política sem sobressaltos e apegada aos mecanismos legais, disse nesta quinta-feira o chanceler Antonio Patriota, enquanto o presidente venezuelano, Hugo Chávez, continua hospitalizado em Cuba após uma delicada operação contra o câncer.

A oposição exige mais informações sobre se o mandatário voltará ou não ao poder. Chávez leva mais de um mês enfrentando um pós-operatório difícil, e o governo diz que ele está consciente e se recuperando. Mas sua ausência provoca cada vez mais dúvidas sobre o futuro político do país.

"Confiamos que a situação, seja qual for seu resultado, evolua de acordo com a institucionalidade com o mínimo de sobressaltos para que a sociedade venezuelana possa se reorganizar no prazo mínimo", disse Patriota durante entrevista coletiva em São Paulo.

Ao anunciar, em dezembro, que seria operado pela quarta vez, o militar reformado designou o vice-presidente Nicolás Maduro como seu herdeiro político e pediu ao povo para que votasse nele em eventuais eleições caso não pudesse voltar ao poder por causa da doença.

Chávez não pôde fazer o juramento de posse em 10 de janeiro, como manda a Constituição, para começar o novo mandato que conquistou nas eleições de outubro.

Mas a máxima corte do país decidiu na semana passada que, embora o presidente não tenha assumido para o período 2013-2019, o vice-presidente e os ministros --que estão à frente do governo durante a ausência do líder-- seguem em suas funções.

O Brasil segue de perto a situação na Venezuela.

Na segunda-feira, autoridades brasileiras disseram à Reuters que o governo da presidente Dilma Rousseff instou Caracas a fazer eleições "o quanto antes possível" caso Chávez morra a fim de garantir uma transição ordenada.

(Reportagem de Esteban Israel)

 
O chanceler Antonio Patriota concede entrevista coletiva a correspondentes estrangeiros, em São Paulo, nesta quinta-feira. 17/01/2013 REUTERS/Paulo Whitaker