20 de Janeiro de 2013 / às 13:07 / em 5 anos

Número de reféns mortos deve subir após fim de cerco na Argélia

Parte dos feridos durante invasão à planta de gás na Argélia foram socorridos mas autoridades do país alertam que número de mortos vai subir. 18/01/2013 REUTERS/Ramzi Boudina

Por Lamine Chikhi e Abdelaziz Boumzar

ARGEL/ IN AMENAS, Argélia, 20 Jan (Reuters) - A Argélia advertiu no domingo que o número de reféns mortos em um cerco a uma refinaria de gás do deserto subiria, depois de suas tropas realizarem um ataque final que matou todo os islâmicos armados.

A Grã-Bretanha disse que ao menos três de seus cidadãos foram mortos durante a crise, que terminou quando as forças especiais argelinas invadiram a planta em In Amenas no sábado. A França reconheceu que o número de mortos será alto, mas alertou contra críticas à resposta militar da Argélia, dizendo que o governo do país enfrentava uma situação intolerável.

O Ministério da Justiça da Argélia havia informado no sábado que 23 reféns e 32 militantes haviam sido mortos durante uma ofensiva lançada por forças especiais argelinas para acabar com a crise, com 107 reféns estrangeiros e 685 reféns argelinos libertados.

Entretanto, o ministro das Comunicações, Mohamed Said, disse que o índice iria subir quando os números finais fossem divulgados nas próximas horas. “Eu sinto em dizer que, infelizmente, o número de mortos vai subir”, ele disse, segundo a agência oficial APS.

Estão emergindo lentamente os detalhes da operação para o cerco aos sequestradores, o que marca uma grave escalada de agitação no noroeste da África, onde as forças francesas estão lutando contra militantes islâmicos em Mali.

Em Londres, o primeiro-ministro David Cameron disse que cidadãos britânicos estavam entre os mortos. “Tragicamente agora sabemos que três cidadãos britânicos foram mortos e outros três podem estar mortos e mais um residente britânico também é dado como morto”, disse Cameron em um comunicado na TV.

Um britânico já foi confirmado morto na ofensiva na madrugada de quarta-feira na refinaria, dirigida pela norueguesa Statoil, juntamente com a britânica BP e a empresa estatal de petróleo da Argélia.

Os ataques de islâmicos testaram as relações da Argélia com o mundo exterior, expondo a vulnerabilidade das operações petrolíferas multinacionais no Saara e empurrando o radicalismo islâmico no norte da África para o centro do palco.

SEQUESTRADORES

Os militantes islâmicos dominaram a refinaria na região remota perto da fronteira com a Líbia, fazendo um grande número de reféns. Foi informado que os militantes eram de seis nacionalidades diferentes, e a operação para limpar a refinaria das minas colocadas pelos sequestradores ainda estava em curso.

Estima-se que entre os 32 militantes mortos está o líder, Abdul Rahman al-Nigeri, um nigeriano próximo ao comandante da Al Qaeda Mokhtar Belmokhtar, provável idealizador do ataque.

Também foi confirmada a morte de um norte-americano. A Statoil disse que cinco de seus trabalhadores, todos cidadãos noruegueses, ainda estavam desaparecidos. Funcionários japoneses e norte-americanos também estão desaparecidos.

Alguns governos ocidentais expressaram frustração por não terem sido informados dos planos das autoridades argelinas para invadir o complexo. A Argélia, marcada por uma guerra civil com os insurgentes islâmicos na década de 1990, que custou 200 mil vidas, insiste que não negocia com terroristas.

O diretor-executivo da BP, Bob Dudley, disse no sábado que quatro de seus 18 trabalhadores no local estavam desaparecidos. Os 14 restantes estão em segurança.

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