January 21, 2013 / 2:52 PM / 5 years ago

Argélia diz que 37 estrangeiros morreram em cerco liderado por canadense

5 Min, DE LEITURA

Equipes de resgate carregam caixão de um dos reféns mortos durante sequestro em complexo de gás em Amenas, na Argélia. 21/01/2013Ramzi Boudina

Por Lamine Chikhi

ARGEL, 21 Jan (Reuters) - Um total de 37 trabalhadores estrangeiros morreu em um complexo de exploração de gás no deserto argelino, e sete ainda estão desaparecidos depois da captura de reféns liderada por um canadense, disse o primeiro-ministro argelino, Abdelmalek Sellal, na segunda-feira.

Sellal também disse que 29 islamistas tinham sido mortos no cerco, que chegou ao fim depois que as forças argelinas invadiram o complexo, e que três haviam sido capturados vivos.

Antes, uma fonte da área de segurança argelina disse à Reuters que documentos encontrados nos corpos de dois militantes os identificavam como sendo canadenses, enquanto as forças especiais vasculhavam o complexo depois do final sangrento no sábado.

"Um canadense estava entre os militantes. Ele estava coordenando o ataque", disse Sellal em uma coletiva de imprensa, acrescentando que os agressores tinham ameaçado explodir a instalação de gás.

O nome do canadense foi divulgado apenas como sendo Chedad. Em Ottawa, o departamento de relações exteriores do Canadá disse que estava buscando informações, mas se referiu ao possível envolvimento de apenas um canadense.

Trabalhadores norte-americanos, britânicos, franceses, japoneses, noruegueses, filipinos e romenos morreram ou estão desaparecidos depois do ataque, cuja autoria foi reivindicada pelo combatente muçulmano veterano Mokhtar Belmokhtar em nome da Al Qaeda.

Os jihadistas tinham planejado o ataque dois meses atrás no vizinho Mali, onde forças francesas começaram a combater islamistas neste mês, acrescentou Sellal.

Em Tóquio, o primeiro-ministro Shinzo Abe disse em uma coletiva de imprensa que tinha recebido informações de que sete japoneses foram mortos e que o destino de outros três ainda era ignorado.

Seis filipinos morreram e quatro ficaram feridos, disse um porta-voz do governo em Manila.

O ministro para o Desenvolvimento Internacional da Noruega, Heikki Holmaas, disse que seu padrasto, Tore Bech, estava entre os desaparecidos e supostamente mortos. Bech era administrador da instalação para a empresa norueguesa de energia Statoil.

Sellal disse que, inicialmente, os agressores na Argélia tinham tentando sequestrar um ônibus que levava trabalhadores estrangeiros para um aeroporto vizinho e fazê-los reféns.

"Eles começaram a disparar contra o ônibus e receberam uma resposta forte dos soldados que escoltavam o ônibus", ele disse.

"Eles não conseguiram atingir seu objetivo, que era o de sequestrar trabalhadores estrangeiros do ônibus", acrescentou.

Ele disse que forças especiais e unidades do Exército foram posicionadas contra os militantes, que tinham plantado explosivos na usina de gás com a intenção de explodir a instalação.

Um grupo de militantes tinha tentando fugir em alguns veículos, cada um deles carregando três ou quatro trabalhadores estrangeiros, alguns com explosivos grudados nos corpos.

Depois do que ele descreveu como "uma resposta feroz das forças armadas", os veículos dos sequestradores bateram ou explodiram e um de seus líderes estava entre os que foram mortos.

Placas líbias

Sellal disse que os jihadistas que lançaram o ataque na quarta-feira passada tinham entrado no país pela vizinha Líbia. Um jornal argelino disse que eles chegaram em carros pintados nas cores da empresa de energia estatal Sonatrach, mas registrados na Líbia, um país inundado de armas desde a queda de Muammar Gaddafi em 2011.

O ataque expôs a vulnerabilidade de instalações multinacionais de gás e de petróleo em uma importante região produtora, e levou a ameaça crescente de grupos militantes islamistas no Saara para uma posição proeminente na agenda de segurança do Ocidente.

O presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, ordenou uma investigação sobre como as forças de segurança não conseguiram evitar o ataque, disse o jornal El Khabar.

Jihadista De Um só Olho

Belmokhtar -um jihadista com um só olho que lutou no Afeganistão e na guerra civil da Argélia nos anos 1990, quando o governo secular combatia islamistas -ligou o ataque no deserto à intervenção francesa no Saara contra rebeldes islâmicos no Mali.

"Nós na Al Qaeda anunciamos essa operação abençoada", disse ele em um vídeo segundo a Sahara Media, um site regional. Cerca de 40 agressores participaram do ataque, segundo ele. Belmokhtar exigiu o fim dos ataques aéreos franceses aos combatentes islâmicos no vizinho Mali.

Autoridades norte-americanas e europeias duvidam que um ataque tão complexo possa ter sido organizado rápido o bastante para como uma resposta direta à intervenção militar francesa. No entanto, a ação francesa pode ter sido o gatilho para uma operação que já vinha sendo planejada.

Reportagem adicional de Balazs Koranyi em Oslo, William Maclean em Dubai, Daniel Flynn em Dacar, David Ljunggren em Ottawa e Ed Klamann em Tóquio

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