Governo resiste a elevar taxa de retorno em projetos de infraestrutura

terça-feira, 22 de janeiro de 2013 16:28 BRST
 

Por Jeferson Ribeiro e Leonardo Goy

BRASÍLIA, 23 Jan (Reuters) - O governo concentrará o esforço de atração de investidores para os projetos de logística anunciados no ano passado na melhoria das condições de financiamento, defendendo que a taxa de retorno é adequada e não precisa ser elevada, disseram à Reuters duas fontes do Executivo.

O governo busca elevar as condições de financiamento dos projetos, para até 80 por cento do valor total, aumentando indiretamente a rentabilidade dos investidores. Para atingir essa meta, porém, o Executivo espera que o setor financeiro privado abra mais linhas de crédito de longo prazo.

Empresários reclamam que as taxas de retorno, que variam em média entre 6 e 7 por cento, devem ser compensadas com o aumento da alavancagem dos projetos.

Uma das fontes ouvidas pela Reuters disse, sob condição de anonimato, que em média os financiamentos de longo prazo para obras de infraestrutura giram em torno de 50 por cento do valor da obra. Ao elevar essa proporção para a casa dos 80 por cento, diminui significativamente o desembolso inicial do investidor no projeto.

O fraco desempenho econômico nos dois primeiros anos da gestão da presidente Dilma Rousseff tem pressionado o governo a buscar alternativas para que os projetos para remover gargalos de infraestrutura sejam realmente implementados. O tema ganha ainda mais relevância diante dos preparativos do país para sediar a Copa das Confederações neste ano, a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de 2016.

A presidente tinha sinalizado a possibilidade de ampliar o financiamento no fim do ano passado, durante encontro com jornalistas. "Para um projeto, se ele tomar emprestado 80 por cento e botar 20 por cento de dinheiro dele, a rentabilidade dele é maior. Por quê? Porque se exige menor rentabilidade quando o dinheiro é emprestado, quando o dinheiro não é seu", disse Dilma em dezembro.

Nas conversas que tem mantido com empresários desde o começo do ano, a presidente vem defendendo essa lógica. Dilma tem insistido que as taxas de retorno sugeridas pelo governo são atraentes e que trabalhará para ampliar ainda mais o financiamento dos projetos, segundo uma das fontes do Executivo.

Nas reuniões que vem mantendo com banqueiros, Dilma tem pedido que eles ingressem efetivamente no mercado de financiamento de longo prazo. Caso isso não aconteça nos próximos meses, o governo agirá colocando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal nesse mercado, afirmou uma das fontes.   Continuação...