EXCLUSIVO-Para BC, energia compensa com folga alta da gasolina no IPCA, diz fonte

terça-feira, 22 de janeiro de 2013 20:09 BRST
 

Por Brian Winter e Todd Benson e Asher Levine

BRASÍLIA, 22 Jan (Reuters) - Novas projeções do Banco Central mostram uma perspectiva um pouco melhor para a inflação neste ano, afirmou à Reuters uma fonte do governo nesta terça-feira, dando algum fôlego à presidente Dilma Rousseff enquanto se tenta reanimar a economia.

As últimas projeções do BC sugerem que o corte de 20 por cento nas tarifas de energia neste ano deve eliminar 1 ponto percentual da inflação em 2013, afirmou a fonte sob condição de anonimato.

A estimativa da autoridade monetária do efeito desinflacionário dos cortes nas tarifas de energia é quase o dobro das feitas por analistas do setor privado.

"Acho que o que estão tentando fazer aqui é diminuir as expectativas de inflação para tentar ganhar o foco do mercado sobre os cortes das tarifas de energia", afirmou o chefe de pesquisa para América Latina da IDEAGlobal, Enrique Alvarez, em Nova York. "Os preços de alimentos e bebidas continuam sendo, essencialmente, o calcanhar de Aquiles."

As previsões são feitas no momento em que o país tenta manter as expectativas de inflação sob controle após os preços avançarem 5,84 por cento em 2012 e oferecem uma nova visão sobre como o governo espera que duas de suas mais importantes iniciativas neste ano --o corte das tarifas de energia e o aumento futuro dos preços da gasolina-- afetem a economia.

A inflação foi apenas um dos fatores que contribuiu para um ano de desapontamento para a economia do país, que deve ter crescido menos de 1 por cento em 2012, apesar das taxas de juros em suas mínimas históricas e de uma série de medidas de estímulos do governo.

Uma projeção mais otimista pode tornar mais fácil para o governo adotar desonerações e outras medidas de estímulo sem temer que a inflação ultrapasse a meta para este ano.

O governo espera que a inflação em base anualizada continue crescendo nos primeiros meses do ano, atingindo um pico de 6 por cento, segundo a fonte. Mas os cortes no preço da energia, uma safra recorde e a decisão recente de adiar um reajuste das tarifas de ônibus devem ajudar o número a cair de forma constante a partir de março, acrescentou.   Continuação...