OEA aceita pedido para analisar morte de jornalista Vladimir Herzog
SÃO PAULO, 22 Jan (Reuters) - A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA), aceitou um pedido para analisar as condições da morte do jornalista Vladimir Herzog nas dependências do Exército em 1975 durante o regime militar.
Agora, a comissão aguarda a manifestação das partes envolvidas no caso para determinar se houve violações dos direitos humanos no episódio e se há responsabilidade do Estado brasileiro.
"Ao admitir (o pedido), a petição se transformou em um caso", explicou à Reuters por telefone nesta terça-feira a diretora de imprensa da CIDH, María Isabel Rivero. "Não há uma data para a conclusão do procedimento", acrescentou.
O pedido para que a CIDH analise a morte de Herzog, admitido pela comissão durante sessão em novembro do ano passado, foi feito pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), pela Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos (FIDDH), pelo Centro Santo Dias da Arquidiocese de São Paulo e pelo Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, segundo documento da CIDH.
De acordo com Rivero, se a comissão determinar que houve violações dos direitos humanos e responsabilidade do Estado brasileiro no caso, fará recomendações ao governo do país.
Se essas recomendações não forem cumpridas, explicou a diretora de imprensa, a CIDH pode decidir levar o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos, localizada na Costa Rica.
Herzog foi preso no Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operação de Defesa Interna (DOI-Codi) em 1975 e morreu na prisão em 25 de outubro daquele ano.
Na época, o laudo sobre sua morte apontava asfixia mecânica, o que levou o regime militar da época a defender a tese de suicídio.
Em setembro do ano passado, no entanto, a Justiça de São Paulo determinou que o atestado de óbito fosse alterado para contar que a morte do jornalista "decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do II Exército - SP (DOI-Codi)".
(Reportagem de Eduardo Simões)
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