January 23, 2013 / 11:14 AM / in 5 years

IPCA-15 acelera alta a 0,88% em janeiro por preços de alimentos

3 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO, 23 Jan (Reuters) - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, começou 2013 acelerando, com alta de 0,88 por cento em janeiro, pressionado pelos preços de despesas pessoais e alimentos.

O número veio acima do esperado pelo mercado e aumenta ainda mais a atenção sobre os próximos passos de política monetária do Banco Central.

Em 12 meses até janeiro, a inflação agora registra alta de 6,02 por cento, afastando-se ainda mais do centro da meta do governo de 4,5 por cento, pelo IPCA.

Em dezembro, o indicador havia avançado 0,69 por cento, na maior alta desde maio de 2011, acumulando no ano alta de 5,78 por cento.

Pesquisa da Reuters mostrou que a expectativa era de alta de 0,83 por cento no IPCA-15 em janeiro, de acordo com a mediana de 31 analistas. As projeções variaram de 0,71 a 0,87 por cento.

Segundo o IBGE, o grupo despesas pessoais registrou alta de 1,80 por cento em janeiro, ante alta de 1,10 por cento em dezembro. Já Alimentação e bebidas mostrou alta de 1,45 por cento, acelerando ante leitura de 0,97 por cento no mês passado.

Juntos, os dois grupos responderam por 61 por cento do índice do mês, com impacto de 0,35 ponto percentual de alimentação e de 0,19 ponto das despesas pessoais.

Entre os alimentos, destacou a aceleração dos preços de hortaliças (de 2,67 para 6,48 por cento), feijão-carioca (de -0,10 para 6,25 por cento), tomate (de 0,72 para 6,02 por cento), entre outros.

Já entre as despesas pessoais, destaque para o aumento dos preços de cigarro (de 2,66 para 7,05 por cento) e excursão (de 12,15 para 16,18 por cento).

O grupo Transportes, ainda segundo o IPCA, mostrou desaceleração, com alta de 0,68 por cento neste mês, ante 0,71 por cento em dezembro.

O mercado vem elevando há três semanas sua expectativa para a inflação neste ano, prevendo agora o IPCA em 5,65 por cento de acordo com a pesquisa Focus do Banco Central.

Ao anunciar a manutenção da Selic na mínima histórica de 7,25 por cento na semana passada, o BC destacou em comunicado que os riscos de inflação pioraram no curto prazo. Mas ressaltou que a atividade econômica também tem decepcionado, sinalizando que a taxa básica de juros do país não deverá mudar pelos próximos meses.

Mas parte do governo ainda espera que os preços mostrem uma queda "mais linear" para meta, depois da pressão de alta que ainda deve ser registrada em janeiro e fevereiro, diante da esperada safra recorde de grãos como milho e soja.

Uma outra fonte do governo também afirmou na terça-feira que a redução nos preços das tarifas de energia elétrica nesta ano, de cerca de 20 por cento, vai mais do que compensar a esperada alta nos preços da gasolina.

Agora, o mercado, que continua vendo a Selic estável ao longo deste ano, aguarda a divulgação da ata da reunião do Copom na quinta-feira em busca de mais detalhes sobre a avaliação do BC em relação ao comportamento dos preços

Por Camila Moreira

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