January 23, 2013 / 12:37 PM / in 4 years

REEDIÇÃO-Conta corrente brasileira registra em 2012 seu maior déficit anual

5 Min, DE LEITURA

(Altera 4o parágrafo para esclarecer que números foram maiores, e não melhores, que as expectativas do BC)

Por Tiago Pariz

BRASÍLIA, 23 Jan (Reuters) - O saldo em transações correntes do Brasil fechou 2012 com o maior rombo da história, mas foi financiado com folga por investimentos estrangeiros. E apesar de ruim, o resultado negativo do ano passado não sinaliza um patamar insustentável em 2013.

O mercado financeiro e o Banco Central preveem uma aceleração do déficit corrente, que poderá ser visto já em janeiro, e uma estagnação dos fluxos de Investimento Estrangeiro Direto (IED).

No ano passado, a conta corrente brasileira teve déficit de 54,246 bilhões de dólares, o maior valor da série histórica do Banco Central iniciada em 1947. Já os investimentos estrangeiros diretos somaram 65,272 bilhões de dólares, recuando 2,08 por cento em relação ao ano anterior.

Os números foram maiores que as expectativas do próprio BC, que calculava um rombo de 52,5 bilhões de dólares nas contas externas e investimento produtivo de fora em 63 bilhões de dólares em 2012.

Com o resultado anual elevado, a relação entre déficit e o Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 2,40 por cento, a maior desde 2001, quando ficou em 4,19 por cento, segundo série histórica do BC.

Analistas do mercado financeiro acreditam que apesar da aceleração, o déficit não é um problema e a relação com o PIB continuará confortável.

"Esperamos que o déficit em conta corrente se deteriore um pouco, para cerca de 58 bilhões de dólares, mas mantendo-se num patamar confortável de 2,6 por cento do PIB", afirmou o economista-chefe do Citibank, Marcelo Kfoury, em comentários escritos.

A estimativa do Citibank está mais otimista do que a do BC. A autoridade monetária prevê que o déficit e o IED ficarão em 65 bilhões de dólares este ano.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, preferiu minimizar os números ruins das contas externas dizendo que independente do aumento no saldo negativo, o importante é que ele tem sido financiado por meio do investimento produtivo de longo prazo.

Crise

A deterioração da conta externa no ano passado, argumentou Maciel, foi reflexo da crise internacional que atingiu em cheio o comércio global, reduzindo o superávit comercial brasileiro em 34,78 por cento, para 19,431 bilhões de dólares. Outro ponto que pesou foi a despesa líquida com viagens, que ficou em 15,588 bilhões de dólares, contra 14,709 bilhões de dólares.

Outro ponto importante no crescimento do rombo foi a despesa com juros que somou 11,847 bilhões de dólares, contra 9,719 bilhoes de dólares em 2011.

O déficit só não foi maior porque as remessas de lucros e dividendos acabaram sendo um fator limitador. Diante do crescimento econômico mais fraco, as multinacionais mandaram menos recursos para as matrizes de forma líquida, ficando em 24,112 bilhões de dólares no ano passado, queda de 36,82 por cento sobre 2011.

Neste ano, a remessa de lucros, no entanto, deve crescer, com impacto já no primeiro mês. O BC prevê um déficit corrente em janeiro de 8,3 bilhões de dólares, impulsionado também por menor saldo comercial e maior despesa com serviços. Até a terceira semana deste mês, a balança comercial registrava déficit de 2,7 bilhões de dólares.

Caso esse valor de janeiro se confirme ele ficará praticamente igual ao déficit de dezembro que somou 8,413 bilhões de dólares e foi o maior da série histórica do BC. No mês passado, o número veio pior do que o esperado por economistas consultados pela Reuters, que previam saldo negativo de 6,5 bilhões de dólares.

Perspectiva Positiva?

Analistas apontaram que o crescimento nos fluxos de IED demonstraram a solidez do país diante de um cenário turbulento. Segundo a LCA Consultores, o IED ficou em 2,9 por cento do PIB em 2012, o maior percentual desde 2008.

"Essa evolução dos investimentos estrangeiros diretos sinaliza que o Brasil continua sendo um país bastante atrativo para as empresas estrangeiras", informou a LCA em comunicado.

O investimento dos estrangeiros no ano passado foi bastante diversificado, com destaque para aplicações nos setores alimentícios, de metalurgia, comércio e serviços financeiros.

As aplicações estrangeiras em ações negociadas no Brasil tiveram leve queda, para 5,920 bilhões de dólares, ante 6,245 bilhões de dólares em 2011. Por outro lado, os investimentos estrangeiros em renda fixa no país registraram um salto gigantesco, para 5,051 bilhões de dólares no ano passdao, depois de um saldo líquido negativo 61 milhões de dólares no ano anterior.

Reportagem adicional de Luciana Otoni e Alonso Soto; edição de Alexandre Caverni

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