BC vê mais inflação, mas convergência à meta no momento adequado

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013 15:49 BRST
 

Por Tiago Pariz

BRASÍLIA, 24 Jan (Reuters) - O Banco Central piorou a perspectiva para inflação neste ano ao reforçar os riscos para os preços no curto prazo e sustentou que trabalha para a convergência para a meta no momento adequado, mostrou nesta quinta-feira a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada.

"A maior dispersão, recentemente observada, de aumentos de preços ao consumidor e a reversão de isenções tributárias, combinadas com pressões sazonais e pressões localizadas no segmento de transportes, tendem a contribuir para que, no curto prazo, a inflação se mostre resistente", trouxe a ata, elaborando avaliação de piora feita no comunicado pós-reunião.

Esse cenário mais deteriorado dos preços contempla o reajuste de cerca de 5 por cento no preço da gasolina e recuo de aproximadamente 11 por cento na tarifa residencial de eletricidade neste ano.

Analistas fizeram duras críticas ao tom do documento, com avaliações de que o BC já não busca levar a inflação para o centro da meta neste ano, uma vez que o Copom piorou o cenário de preços sem indicar mudança na condução de política monetária.

Na ata, o Copom ressaltou também que a demanda doméstica tende a continuar robusta neste e nos próximos semestres, sobretudo com consumo das famílias. Destacou ainda que o setor público continua "expansionista", mas lembrou que o cenário internacional limita a demanda agregada.

Esses elementos, afirmou o Copom, "são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas", sem citar prazos. O comitê também voltou a indicar que vai manter a taxa básica de juros por um "tempo suficientemente prolongado".

Nesse contexto, apesar de o BC reafirmar que a Selic será mantida por tempo "suficientemente prolongado", já começam a surgir expectativas de alta no final de 2013. Na semana passada, o Copom decidiu pela segunda vez seguida manter a taxa em sua baixa recorde de 7,25 por cento.

"Estamos apenas em janeiro e ele já admite que inflação não vai convergir para o centro da meta", avaliou o estrategista-chefe do WestLB, Luciano Rostagno, para quem a Selic será elavada no final deste ano.   Continuação...

 
Um homem caminha próximo à sede do Banco Central, em Brasília. O Banco Central piorou a perspectiva para inflação neste ano ao reforçar os riscos para os preços no curto prazo e sustentou que trabalha para a convergência para a meta no momento adequado, mostrou nesta quinta-feira a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada. 22/09/2011 REUTERS/Ueslei Marcelino