Tradings se antecipam e buscam lugar na fila de navios para soja

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013 18:00 BRST
 

Por Reese Ewing

SÃO PAULO, 24 Jan (Reuters) - Grandes tradings do agronegócio estão mobilizando uma frota de navios para o Brasil com esperanças de encontrar um bom lugar na fila para carregar uma safra recorde de soja que ainda deve, em sua maior parte, demorar algumas semanas para chegar aos portos exportadores.

O preço do frete para navios tipo Panamax no mercado global já respondeu em antecipação à aproximação da abundante safra prestes a ser colhida na América do Sul. O índice de referência já subiu 15 por cento até o momento em 2013.

Duas embarcações programadas para chegar nos próximos dois ou três dias no porto amazônico de Itacoatiara devem ser as primeiras a carregar a soja da nova safra. Acesse: Williams Shipping Lineup

No entanto, ainda mais embarcações estão previstas para chegar, muito antes de a oleaginosa alcançar os portos. A antecipação é causada por expectativas de uma corrida que deve entupir a infraestrutura brasileira e atrasar as exportações.

"A expectativa é de que tenhamos filas de até 45 dias", disse André Pessôa, analista-chefe da consultoria Agroconsult, de São Paulo. "A partir de fevereiro, nós viveremos este problema bastante intensamente."

Caso chova, como aconteceu em 2010 durante o carregamento da enorme colheita brasileira de açúcar, os atrasos podem ser ainda maiores. Os portos do Brasil paralisam suas atividades em caso de chuva.

A consultoria FCStone estima que, entre fevereiro e maio, quando o Brasil se torna a maior fonte mundial de soja, o país só deve conseguir exportar um máximo de 22,7 milhões de toneladas.

Pessôa, da Agroconsult, estima que a capacidade máxima de exportação de soja do Brasil seja de cerca de 8 milhões de toneladas por mês, se todos os portos do país estiverem operando perfeitamente.   Continuação...