Farc estão dispostas a aceitar acordos intermediários com governo da Colômbia

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013 21:54 BRST
 

HAVANA, 24 Jan (Reuters) - A guerrilha Farc disse nesta quinta-feira que está disposta a assinar acordos intermediários, como armistícios ou outros humanitários, se fracassar o diálogo de paz que está sendo negociado em Cuba com o governo para tentar encerrar o conflito armado de meio século na Colômbia.

No encerramento da terceira rodada das negociações, iniciadas há dois meses, ambas as partes disseram ter avançado no tema agrário, o primeiro dos cinco pontos da agenda, mas deixaram transparecer diferenças em meio a declarações inflamadas.

Embora as negociações começaram sob o princípio de que "nada está acordado até que tudo seja acordado", pela primeira vez as Farc deixaram aberta a possibilidade de chegar a acordos intermediários que gerem ambiente na Colômbia para favorecer a vontade de paz.

"Destacamos nossa disposição, se não há acordos que parem o conflito e a guerra, estamos decididos a assinar acordos intermediários como armistícios ou acordos humanitários que facilitem e construam pontes em meio a este furacão que a política de guerra pode gerar em nosso país", declarou a jornalistas Andrés París, da equipe negociadora das Farc.

A maior guerrilha esquerdista da Colômbia e o governo do presidente Juan Manuel Santos começaram em meados de novembro o primeiro diálogo de paz em uma década e apenas discutiram o primeiro tema da agenda, o agrário, sobre o qual as Farc fizeram propostas concretas.

As partes voltarão a se reunir em 31 de janeiro em Havana, após fazer consultas sobre os temas tratados.

O ex-vice-presidente Humberto de la Calle, chefe da delegação governamental, insistiu na necessidade de acelerar o processo, embora tenha reconhecido que havia "aproximações" em torno da necessidade de combater a pobreza no setor rural.

"As conversações avançam num clima de respeito e de diálogo amplo. Há aproximações no objetivo de transformar o campo, embora também subsistam diferenças notáveis", disse De la Calle, lendo um comunicado e sem responder a perguntas.

A equipe nomeada por Santos disse que está "estudando" umas 550 propostas provenientes de organizações sociais colombianas e de mais de 1.300 participantes do Fórum de Política de Desenvolvimento Agrário Integral feito em Bogotá recentemente.   Continuação...