27 de Janeiro de 2013 / às 18:43 / 5 anos atrás

Famílias fazem fila para reconhecer corpos de vítimas de incêndio no RS

Por Ana Flor

SANTA MARIA, 27 Jan (Reuters) - Famílias faziam fila em um ginásio em Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul, para reconhecer os corpos das vítimas de um incêndio numa boate da cidade, que deixou 232 pessoas mortas, a grande maioria jovens.

Apenas dois integrantes de cada família podiam percorrer a fila de corpos alinhados no chão do ginásio, em um trabalho lento e doloroso para confirmar a identidade de cada um dos mortos.

“É o dia triste da minha vida. Eu nunca pensei que ia viver isso e ver minha menina indo embora”, disse à Reuters Neusa Soares, de 64 anos, lamentando a morte da filha Viviane Tolio Soares, 22, que trabalhava numa loja de departamentos, enquanto aguardava na fila para entrar no ginásio.

Todos os familiares eram amparados por assistentes sociais e recebiam luvas de borracha e máscaras cirúrgicas antes de entrarem no local.

Não havia mais capelas mortuárias disponíveis na cidade para realizar os velórios. Em função disso, a prefeitura avalia realizar um velório coletivo. No entanto, a cerimônia só teria início após a última vítima ser identificada.

Alguns pais de vítimas já identificadas estavam revoltados com a hipótese de não poder iniciar imediatamente os funerais.

“É muita dor ainda ter que esperar”, dizia um pai revoltado, ao lado do ginásio.

As autoridades locais já cadastraram mais de 200 voluntários, incluindo psicólogos e enfermeiros, para ajudar no amparo aos parentes das vítimas.

O incêndio na boate Kiss começou por volta das 2h30 de domingo, depois que foi aceso um sinalizador durante a apresentação de uma banda que estava no local. Uma faísca do artefato iniciou o incêndio no teto da boate, que tinha entre seus materiais o isopor.

De acordo com a Defesa Civil, outras 117 pessoas ficaram feridas no incêndio. O Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul informou que o alvará de funcionamento da boate estava vencido, mas em processo de renovação e que o local tinha instalações de prevenção a incêndios, o que permitia seu funcionamento.

A presidente Dilma Rousseff cancelou compromissos que tinha marcado no Chile e foi a Santa Maria visitar vítimas do incêndio. Ao deixar o país sul-americano para voltar ao Brasil, a presidente lamentou a tragédia e se emocionou.

Cidade localizada a 350 quilômetros de Porto Alegre, Santa Maria abriga várias universidades. A prefeitura decretou 30 dias de luto oficial por conta da tragédia.

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