Cemitérios de Santa Maria realizam 95 enterros de mortos em boate

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013 19:37 BRST
 

Por Ana Flor

SANTA MARIA, 28 Jan (Reuters) - Depois de uma madrugada velando os corpos das vítimas do incêndio da boate Kiss, familiares tiveram que aguardar para enterrar seus mortos na cidade de Santa Maria, onde 231 pessoas morreram no incêndio de uma boate na madrugada de domingo.

Os cemitérios organizaram enterros de 30 em 30 minutos e tiveram que escalar funcionários de férias e até voluntários para ajudar na tarefa de conseguir atender as famílias. Até o meio da tarde desta segunda-feira, 95 vítimas do incêndio já haviam sido enterradas. Outras vítimas foram veladas e enterradas em outras cidades gaúchas e em outros Estados.

Além dos mortos, o incêndio da madrugada de domingo deixou outras 83 pessoas internadas, sendo 75 em estado grave e respirando com ajuda de aparelho.

Já passavam das 15 horas quando a família das irmãs Patrícia e Greici Bairro, de 30 e 18 anos, mortas no incêndio, conseguiu realizar o enterro no Cemitério Nova Santa Rita. As duas estavam na boate acompanhadas de Vancercok Marques Lara Júnior, marido de Patrícia, e de Hélio Trentin Júnior, namorado de Greici. Os quatro morreram na tragédia.

Os pais das jovens, que moram na cidade de Manoel Viana, a cerca de 200 quilômetros de Santa Maria, chegaram na tarde de domingo na esperança de encontrarem as filhas com vida.

"Ele (pai) encontrou o corpo de Patrícia e do Júnior juntos, a Greici estava um pouco mais longe. Não sei como ele aguentou", disse o primo das vítimas Norberto Tatsch Bairro, que chegou na manhã desta segunda em Santa Maria, depois de passar a noite no velório de outras vítimas da tragédia em Manoel Viana.

Greici havia passado no vestibular para o curso de Engenharia Ambiental de uma universidade local e começaria as aulas no próximo mês. Ela decidiu morar em Santa Maria por causa da irmã, que trabalhava como secretária na Universidade Federal de Santa Maria e estava casada havia 10 anos com Vandercok, vigilante na mesma universidade. Eles deixam um filho de seis anos, que não chegou a ser levado ao enterro.

"Sabe como é tragédia, começa com boatos...Ouvimos que elas estavam em um hospital, bem queimadas. Ficamos cheios de esperança", relatou Norberto.   Continuação...

 
Parentes de Shaiana Antoline velam seu corpo durante velório coletivo para vítimas do incêndio da boate Kiss na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A madrugada foi de muita tristeza no Centro Desportivo Municipal de Santa Maria, onde pelo menos 20 dos mortos no incêndio da boate Kiss são velados desde o início da noite de domingo e devem ser enterrados até o final da tarde desta segunda-feira. 27/01/2013 REUTERS/Ricardo Moraes