Cadeia de responsabilidade por incêndio no RS deve ser ampla, diz especialista

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013 20:44 BRST
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO, 28 Jan (Reuters) - A responsabilidade pelo incêndio que matou 231 pessoas, a maioria jovens, em uma boate em Santa Maria no domingo deve ser ampla, atingindo desde o poder público até os donos do estabelecimento e membros da banda que se apresentava no local, disse à Reuters nesta segunda-feira o especialista em situações de risco Moacyr Duarte.

Para o professor da Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), uma série de falhas resultou na tragédia, a segunda maior provocada por um incêndio na história do país.

A sequência de erros passou por problemas na fiscalização já que, na avaliação de Duarte, a boate Kiss, palco do desastre, jamais poderia receber um show com o público que tinha no momento do incêndio.

"O que faltou foi bom senso. Qualquer oficial bombeiro dos que eu conheço e com os quais eu trabalho, em uma hora de inspeção vetaria um show naquela casa", disse.

"A cadeia de responsabilidades pelo que aconteceu vai ser muito grande. As responsabilidades vão se espalhar pelos níveis local até o nível estadual", afirmou.

O incêndio começou, de acordo com a polícia, quando um integrante da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentava no local, acendeu um sinalizador na madrugada de domingo.

Uma faísca do artefato incendiou o revestimento acústico que estava no teto da casa e o fogo se alastrou rapidamente. A maioria das vítimas morreu asfixiada por inalação de fumaça tóxica. As vítimas eram, na maior parte, jovens em idade universitária.

"O que é doído nisso? A causa dessas mortes não guarda nenhuma complexidade. Isso é lamentável. Foram elementos simples. Falhas de controles administrativos, falhas de fiscalização, falha de inspeção final, falha de planejamento do evento. Este conjunto levou à tragédia", afirmou Duarte.   Continuação...