Polícia prende 4 por incêndio em boate; Santa Maria homenageia mortos

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013 23:37 BRST
 

Por Ana Flor

SANTA MARIA, 28 Jan (Reuters) - Menos de 36 horas depois do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, as autoridades policiais do Rio Grande do Sul detiveram temporariamente nesta segunda-feira quatro pessoas como parte da investigação para apurar as causas da tragédia que abalou a região e comoveu o mundo ao deixar 231 mortos.

A Defensoria Pública do Estado também reagiu, com o pedido, no início da noite, de bloqueio dos bens dos proprietários da boate, onde na madrugada de domingo um incêndio, provocado segundo testemunhas por um artefato pirotécnico, matou e feriu centenas de pessoas, a maioria jovens universitários.

O incêndio deixou também 129 pessoas internadas em diferentes cidades do Estado, sendo 76 delas em estado grave e respirando com ajuda de aparelhos, segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul.

A polícia decretou prisão temporária dos dois proprietários da boate, Elisandro Spohr --que está internado na cidade de Cruz Alta em consequência da fumaça que asfixiou a maior parte das vítimas-- e Mauro Hoffmann.

Também foram presos dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira que tocava no momento em que o incêndio começou: Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos Neto.

Segundo uma fonte da polícia que falou sob condição de anonimato, os testemunhos são de que os dois integrantes da banda foram responsáveis por acionar um sinalizador e outro artefato pirotécnico, chamado "sputinik", que teriam causado o incêndio.

Apesar da perícia não ter sido concluída, muitas das testemunhas ouvidas afirmaram que a faísca provocada pelo sinalizador atingiu a cobertura de isolamento de som no teto da boate, material inflamável, dando início ao incêndio. Segundo o Corpo de Bombeiros, a grande maioria das vítimas morreu asfixiada pela fumaça liberada pela queima do material isolante.

A polícia disse que as investigações indicam também que a única porta da boate não dava vazão ao número de pessoas em caso de emergência, mas que não acredita que houvesse superlotação da casa.   Continuação...

 
Milhares de pessoas participam de uma caminhada em homenagem às vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, nesta segunda-feira. 28/01/2013 REUTERS/Ricardo Moraes