Fiscalização é falha e país precisa unificar código anti-incêndio--especialistas

terça-feira, 29 de janeiro de 2013 18:53 BRST
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO, 29 Jan (Reuters) - A fiscalização das condições de segurança de estabelecimentos de todo tipo é precária no Brasil, e o país precisa ter um código de prevenção de incêndio unificado para substituir as diferentes normas vigentes em cada um dos mais de 5 mil municípios brasileiros.

Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, a grande variedade de regras de segurança para os estabelecimentos complica o cumprimento dessas normas e encarece os empreendimentos.

No último domingo um incêndio em uma boate em Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul, matou 234 pessoas, a maioria jovens. O fogo começou, segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, quando um integrante da banda Gurizada Fandangueira, que tocava no local, acendeu um sinalizador.

Uma faísca do artefato teria iniciado o fogo no revestimento acústico que estava no teto da boate, o que liberou uma fumaça tóxica que asfixiou a maioria das vítimas. Oitenta e oito pessoas ainda estão hospitalizadas em estado grave e, dessas, 83 respiram com ajuda de aparelhos.

"Começa por omissão das autoridades locais", disse à Reuters o especialista em prevenção de incêndios Sérgio Ceccarelli, diretor do Centro de Difusão Científica e Tecnológica em Segurança contra Incêndio (CSI). "Não adianta o comandante do Corpo de Bombeiros vir à TV e dizer 'carregamos 200 corpos'. Não era para ter carregado nenhum."

Na avaliação dele, a boate Kiss, onde aconteceu a tragédia, jamais deveria ter recebido autorização para funcionar. Ele também criticou o fato de casa noturna estar com alvará de funcionamento vencido.

No dia da tragédia, o Corpo de Bombeiros reconheceu que o alvará havia expirado, mas disse que a licença estava em processo de renovação, o que permitiria o funcionamento do estabelecimento.

"Ninguém vai pegar um avião se o piloto estiver com a carteira vencida", comparou Ceccarelli.   Continuação...