Superávit primário inflado de dezembro não garante meta cheia em 2012

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013 14:52 BRST
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 30 Jan (Reuters) - O setor público brasileiro não cumpriu a meta cheia de superávit primário em 2012, prejudicado pela fraqueza da economia, obrigando o governo a descontar 34,9 bilhões em gastos do PAC e realizar outras manobras fiscais para fechar o rombo e indicando que neste ano também haverá dificuldades.

Em 2012, a economia feita para pagamento de juros somou 104,951 bilhões de reais, o equivalente a 2,38 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante a meta estabelecida pelo governo de 139,8 bilhões de reais, informou o Banco Central nesta quarta-feira. Em relação a 2011, houve uma queda de 18,5 sobre o superávit obtido, de 128,710 bilhões de reais.

Em dezembro, o superávit primário ficou em 22,252 bilhões de reais, muito acima do 1,934 bilhão de reais registrado um ano antes, inflado por receitas extras arrumadas pelo governo.

Entraram no resultado do mês passado --o melhor desde setembro de 2010 e o maior para um mês de dezembro na história-- 12,4 bilhões de reais do Fundo Soberano do Brasil (FSB) e a antecipação de mais de 7 bilhões de reais em dividendos pagos pela Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A última vez que o governo não conseguiu cumprir a meta cheia foi em 2010, quando teve de utilizar 22,08 bilhões de reais de abatimento do PAC.

"O superávit de 2012 foi impactado pela moderação da atividade econômica", disse a jornalistas o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha. "Também foram tomadas medidas de desoneração e foi observado que os governos subnacionais apresentaram resultado abaixo da meta."

O resultado primário do ano passado foi formado pelos saldos positivos do governo central (governo federal, Previdência Social e BC), de 86,086 bilhões de reais (ante uma meta de 97 bilhões de reais) e de Estados e municípios, de 21,511 bilhões de reais (ante meta de 42,7 bilhões de reais), e pelo déficit das empresas estatais, de 2,645 bilhões de reais.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, justificou o desempenho primário com as ações anticíclicas adotadas pelo governo.   Continuação...

 
Funcionário checa folhas com notas de real impressas durante visita da imprensa à Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, em agosto de 2012. Com o mau desempenho da economia, o setor público brasileiro não cumpriu a meta cheia de superávit primário em 2012, indicando ainda que, para este ano, também haverá dificuldades. 23/08/2012 REUTERS/Sergio Moraes