ANÁLISE-Reajuste da gasolina abre espaço para alta de etanol

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013 15:58 BRST
 

Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO, 30 Jan (Reuters) - O reajuste da gasolina abre espaço para um aumento do preço do etanol ao consumidor final que poderá atingir um percentual equivalente ao do combustível fóssil, mas é insuficiente para cobrir a situação de aperto vivida pela indústria da cana, apontam especialistas.

Na bomba, o reajuste da gasolina deverá ficar em pouco mais de 4 por cento, apontou o governo nesta quarta-feira. Como o etanol é concorrente do combustível fóssil no Brasil, ele teria espaço para subir, embora alguns fatores possam limitar essa alta.

"Tecnicamente, a usina teria um espaço para subir o preço na bomba de etanol em torno de 4 por cento... Na prática vai depender muito das condições de oferta e demanda do etanol por parte da usina", disse Julio Maria Borges, diretor da Job Economia.

Ele ressaltou que a situação de oferta de etanol é considerada confortável, com estoques suficientes para cobrir a demanda de pouco mais de dois meses e meio, o intervalo de tempo que ainda dura a entressafra.

Já ao final de março, perto do início oficial da nova safra (2013/14) em abril, o volume estocado deverá estar em nível correspondente a 20 dias de consumo.

"Existe etanol suficiente para abastecer o mercado até abril... Então vai depender muito da competição que acontecer na usina", afirmou ele, referindo-se a uma eventual concorrência entre empresas para a venda do produto.

Ele ressaltou que o aumento estimado vai depender ainda da necessidade das usinas de liberarem seus estoques e também das distribuidoras, que vão considerar a demanda na sua decisão de preços.

IMPACTO LIMITADO   Continuação...

 
Um caminhão leva um carregamento de cana de açúcar para uma refinaria no sul do Paraná. O reajuste da gasolina abre espaço para um aumento do preço do etanol ao consumidor final que poderá atingir um percentual equivalente ao do combustível fóssil, mas é insuficiente para cobrir a situação de aperto vivida pela indústria da cana. 11/03/2006 REUTERS/Paulo Whitaker