Com "fígado de aço", Renan consolidou carreira em diferentes grupos

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 16:39 BRST
 

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA, 1 Fev (Reuters) - Um sobrevivente da cena política brasileira, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) assume mais uma vez a presidência do Senado, após um período de discrição forçada por denúncias que o levaram a renunciar ao mesmo cargo em 2007.

Após a sucessão de escândalos, o senador nascido em Murici (AL), mudou sua tática e submergiu, passando a atuar mais nos bastidores. Voltou ao foco, ao postular o cargo que o tornará também presidente do Congresso, o que consequentemente o colocou novamente na posição de alvo das mesmas denúncias que o forçaram a renunciar à presidência há pouco mais de cinco anos.

Da juventude no movimento estudantil --quando tinha ligações com o então clandestino PCdoB-- aos dias atuais, Calheiros sempre esteve envolvido com a política e é tido por colegas como um "habilidoso" negociador e conciliador, por ter "fígado de aço".

"Renan é um homem de bom senso. Eu nunca vi ninguém tão firme nas coisas, tão equilibrado, receber críticas e não piscar um olho", disse à Reuters o senador Eunício Oliveira (CE), eleito na quinta-feira para liderar a bancada peemedebista no Senado no lugar de Renan.

O alagoano de 57 anos já foi presidente de diretório acadêmico, deputado estadual e deputado federal constituinte e consolidou sua carreira transitando livremente entre diferentes grupos políticos, quando instalados no poder.

Apoiou a candidatura de Fernando Collor à Presidência da República em 1989, sendo líder do governo no Congresso quando era filiado ao PRN, mas rompeu com o presidente antes do impeachment que o tirou do Planalto. No governo seguinte, de Itamar Franco, foi executivo de uma subsidiária da Petrobras.

Já como senador pelo PMDB, apoiou o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), de quem foi ministro da Justiça, mas passou a apoiar o governo Luiz Inácio Lula da Silva após a vitória do petista.

A aproximação com o governo Lula se deu no início do primeiro mandato do petista, quando foi relator, em 2003, do projeto que instituiu o programa Bolsa Família.   Continuação...