Biden levanta a possibilidade de negociações diretas entre EUA e Irã

sábado, 2 de fevereiro de 2013 17:17 BRST
 

Por Adrian Croft e Myra MacDonald

SÃO PAULO, 2 Fev (Reuters) - OS Estados Unidos estão dispostos a manter conversações diretas com o Irã, caso o país esteja levando a sério sua intenção de negociar, disse o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, no sábado, apoiando contatos bilaterais que muitos veem como sendo cruciais para amenizar a disputa internacional sobre o programa nuclear de Teerã.

Falando em uma conferência de segurança em Munique, na Alemanha, Biden disse que o Irã - que diz estar enriquecendo urânio apenas para uso pacífico - enfrenta agora "as maiores sanções da história", que visam garantir que o país não utilize o seu programa para desenvolver armas nucleares.

"Mas também deixamos bem claro que os líderes do Irã não precisam impor ao seu povo privações econômicas e isolamento internacional", disse Biden. "Ainda há tempo, ainda existe espaço para que a diplomacia apoiada pela pressão seja bem sucedida. A bola está no campo do governo do Irã."

O progresso nas negociações com o Irã poderia ajudar a aliviar a tensão na região, enquanto os EUA se preparam para retirar a maioria das suas tropas de combate do Afeganistão, país vizinho ao Irã, até o fim de 2014.

Ao ser perguntado se Washington consideraria ter conversações diretas com Teerã, Biden disse: "Quando a liderança iraniana, o Líder Supremo (Ayatollah Ali Khamenei) estiver levando o assunto a sério."

"Nós deixamos claro desde o início que estamos preparados para um encontro bilateral com a liderança iraniana, não é nenhum segredo que estamos fazendo isso, avisaremos nossos parceiros, caso surja oportunidade."

"A proposta continua valendo, mas ela precisa ser real e tangível e é necessário que haja uma real intenção de negociar. Não estamos dispostos a fazer disso um exercício apenas."

As negociações com o Irã até agora foram supervisionadas pela chefe de política exterior da UE, Catherine Ashton, em nome da França, Grã-Bretanha, China, Alemanha, Rússia e EUA. Mas houve pouco progresso, o que aumentou os temores que o Irã esteja simplesmente ganhando tempo, enquanto desenvolve seu conhecimento nuclear.   Continuação...