Rebeldes tuaregues do Mali dizem ter capturado 2 líderes islamistas

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 12:35 BRST
 

Por Cheikc Diouara

KIDAL, Mali, 4 Fev (Reuters) - Rebeldes separatistas da etnia tuaregue disseram nesta segunda-feira ter capturado no norte do Mali dois dirigentes de grupos islamistas que seguiam em direção à fronteira da Argélia para escapar dos bombardeios franceses contra acampamentos dos insurgentes ligados à Al Qaeda no deserto.

O grupo rebelde tuaregue MNLA, que luta pela autonomia de uma região no norte do Mali, anunciou a captura de Mohamed Moussa Ag Mohamed --um líder islamista que impôs uma forma dura de interpretação da Sharia (lei religiosa do Islã) em Timbuktu, cidade situada no deserto-- e de Oumeini Ould Baba Akhmed, que se acredita seja o responsável pelo sequestro de um refém francês pelo grupo MUJWA, uma ramificação da Al Qaeda.

"Nós perseguimos um comboio de islamistas perto da fronteira e prendemos os dois homens, anteontem", disse à Reuters o porta-voz do MNLA, Ibrahim Ag Assaleh, em declarações dadas em Ouagadougou, em Burkina Faso. "Eles foram interrogados e enviados para Kidal."

Há três semanas a França enviou 3.500 soldados, aviões de guerra e veículos blindados como parte da operação Serval, no Mali. Com isso, rompeu o controle estabelecido pelos islamistas durante dez meses em cidades do norte malinense, onde eles haviam imposto a Sharia.

O governo francês e seus aliados internacionais querem impedir que os islamitas utilizem o vasto deserto do norte do Mali como uma base para lançar ataques em países africanos vizinhos e ao Ocidente.

O MNLA assumiu o controle do norte do Mali no ano passado, mas logo depois foi suplantado por grupos islamistas mais bem-armados. Os separatistas tuaregues recuperaram na semana passada o controle de Kidal, seu reduto no norte, quando combatentes islâmicos fugiram dos ataques aéreos franceses e seguiram na direção do deserto e das montanhas de Adrar des Ifoghas.

O grupo tuaregue diz estar disposto a ajudar a missão liderada pelos franceses a caçar os islamitas e propuseram conversações de paz com o governo, em uma tentativa de buscar uma solução para as disputas entre o norte do Mali, na desértica área do Saara, e o sul, dominado por africanos negros.

"Até que haja um acordo de paz, não podemos realizar eleições nacionais", disse Ag Assaleh, referindo-se ao plano do presidente interino do Mali, Dioncounda Traoré, de realizar eleições em 31 de julho.   Continuação...