5 de Fevereiro de 2013 / às 00:37 / 5 anos atrás

Petrobras bate expectativas no 4o tri, mas lucro cai em 2012

Por Leila Coimbra e Roberto Samora

RIO DE JANEIRO, 4 Fev (Reuters) - O lucro da Petrobras no quarto trimestre de 2012 registrou alta de 53,4 por cento ante o mesmo período de 2011 por conta de ganhos financeiros, enquanto a área de Abastecimento, responsável pela venda de combustíveis, continuou operando no vermelho, com perdas bilionárias.

A venda de combustíveis com prejuízo foi um dos fatores que pesaram no lucro anual, que recuou 36 por cento na comparação com 2011, para 21,18 bilhões de reais, configurando o menor lucro anual da empresa desde 2004.

A Petrobras também amargou no ano passado a sua primeira queda na produção anual no Brasil desde 2004.

O resultado anual "é explicado pelo aumento da importação de derivados a preços mais elevados, pela desvalorização cambial, que impacta tanto nosso resultado financeiro como nossos custos operacionais, pelo aumento de despesas extraordinárias como a baixa de poços secos...", disse a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, em nota, citando também a redução na produção de petróleo, de 2 por cento ante 2011.

A queda no lucro anual só não foi maior porque a estatal conseguiu elevar fortemente seus ganhos líquidos no quarto trimestre, para 7,747 bilhões de reais. O resultado trimestral ficou acima da expectativa de analistas ouvidos pela Reuters, que esperavam ganhos de 6,1 bilhões de reais em média. Na comparação com o terceiro trimestre, houve alta de 39 por cento no lucro líquido.

O resultado, porém, foi inflado principalmente pelos ganhos com a venda de Notas do Tesouro Nacional e por rendimentos reconhecidos sobre depósitos judiciais, que renderam 2,63 bilhões de reais à estatal nos últimos três meses do ano e provocaram um resultado financeiro líquido positivo de 2,78 bilhões de reais.

"É bom ver a empresa reportar um lucro maior, mas os números também levantam uma série de questões e dúvidas", disse Pedro Galdi, analista da SLW Corretora, em São Paulo. "A empresa não está melhorando suas operações e sua disciplina fiscal."

O melhor resultado no quarto trimestre também resultou do menor pagamento de impostos no período. A estatal desembolsou 942 milhões de reais em Imposto de Renda e Contribuição Social nos últimos três meses de 2012, ante o pagamento de 2,757 bilhões de reais no mesmo período de 2011.

A Petrobras apontou ainda como fatores positivos o aumento de vendas de gasolina e gás no mercado interno no quarto trimestre.

A receita de vendas da estatal ficou em 73,405 bilhões de reais no quarto trimestre, queda 1 por cento ante o trimestre anterior, mas alta de 8 bilhões de reais na comparação com o mesmo período de 2011.

No ano passado, a Petrobras teve dois aumentos do diesel, de 3,9 por cento e 6 por cento, nos dias 25 de junho e 16 de julho, respectivamente. A gasolina subiu 7,83 por cento, em 25 de junho.

PREJUÍZO NO ABASTECIMENTO

Mas devido à política de preços dos combustíveis no país, a Petrobras registrou um prejuízo de 22,93 bilhões de reais em 2012 na área de Abastecimento --salto de 130 por cento em relação a 2011-- , em função da defasagem no mercado interno dos preços dos combustíveis na comparação com o mercado internacional.

A Petrobras foi obrigada a aumentar a importação de derivados, a preços mais altos, para atender a crescente demanda interna.

No quarto trimestre de 2012 as perdas com a venda de combustíveis ficaram estáveis em relação ao terceiro trimestre, a 5,65 bilhões de reais.

O Ebitda ajustado da Petrobras no quatro trimestre, utilizado como o termômetro operacional da empresa, caiu 15 por cento e somou 11,94 bilhões de reais, contra 14,05 bilhões de reais no mesmo período do ano anterior.

O endividamento total da companhia subiu 26 por cento em relação a dezembro de 2011 e alcançou 196,31 bilhões de reais, sendo 15,3 bilhões de reais no curto prazo.

Já a dívida líquida atingiu 147,8 bilhões de reais, alta de 43 por cento em relação a 31 de dezembro de 2011, em decorrência de captações de longo prazo e do impacto da depreciação cambial de 8,9 por cento.

Dessa forma, o índice de dívida líquida/Ebitda ajustado subiu ao fim de 2012 para 2,77, ante 1,66 no final do ano anterior, alta de 67 por cento, o que levanta preocupações sobre o grau de investimento da empresa.

Neste contexto, em dezembro agência de classificação de risco de crédito Moody's alterou a perspectiva de rating da Petrobras para dívida em moeda local e internacional, de estável para negativa.

PRODUÇÃO MENOR

A estatal sofreu com a queda de produção de petróleo ao longo do ano passado. A produção média da empresa no Brasil ficou em 1,98 milhão de barris por dia em 2012, volume 2 por cento menor que a média do ano anterior, de 2,022 milhões de barris/dia.

"A produção de petróleo e gás natural reduziu em função do maior número de perdas operacionais e da interrupção em Frade, compensados, em parte, pela entrada em produção de novos poços e pela melhoria dos níveis de eficiência operacional na bacia de Campos", justificou a estatal em comunicado.

Paradas não programadas de produção das suas plataformas, queda de produtividade da bacia de Campos e a interrupção da produção em Frade afetaram a estatal.

No mês de setembro a extração média de petróleo da empresa atingiu o menor volume desde 2008, em 1,843 milhão de barris/dia, mas se recuperou ligeiramente no trimestre seguinte.

Para 2013, a Petrobras prevê que a produção de petróleo no Brasil ficará estável e voltará a crescer somente em 2014

Com reportagem adicional de Jeb Blount, no Rio de Janeiro

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below