February 5, 2013 / 4:43 PM / 4 years ago

Disciplina do Itaú no 4o tri agrada; crédito deve acelerar

6 Min, DE LEITURA

O presidente-executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, gesticula em entrevista à Reuters em São Paulo. O Itaú Unibanco agradou o mercado com o resultado do quarto trimestre, que mostrou redução dos calotes e controle de custos, levando as suas ações a ter destaque na Bovespa nesta terça-feira. 24/11/2010Paulo Whitaker

Por Aluísio Alves e Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 5 Fev (Reuters) - O Itaú Unibanco agradou o mercado com o resultado do quarto trimestre, que mostrou redução dos calotes e controle de custos, evolução que deve pavimentar o caminho para maior oferta de crédito em 2013.

Mesmo com queda de 6,5 por cento no lucro recorrente ante mesmo período de 2011, a 3,5 bilhões de reais, o resultado do maior banco privado do país veio em linha com as previsões de analistas. O que chamou a atenção foi a melhora da qualidade dos ativos, diferentemente do que mostraram seus concorrentes.

O lucro líquido do Itaú no período, de 3,492 bilhões de reais, recuou 5,1 por cento na comparação anual, refletindo em parte o baixo crescimento do crédito, em um ano em que os bancos privados preferiram a moderação por conta do cenário de calotes elevados. No ano, o lucro do Itaú caiu 4,1 por cento em relação a 2011, a 14,04 bilhões de reais.

"2012 foi um ano desafiador para o mercado financeiro no Brasil, devido ao aumento da inadimplência", disse nesta terça-feira a jornalistas o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setubal.

A carteira de empréstimos do Itaú, incluindo avais e fianças, fechou o ano em 426,6 bilhões de reais, expansão anual de 7,45 por cento. O número ficou abaixo da faixa estimativa do próprio banco para o ano, de alta de 9 a 10 por cento.

Foi um movimento semelhante ao realizado por seus concorrentes privados diretos, o Bradesco e o Santander Brasil, que exibiram crescimento abaixo do esperado de 11,5 por cento e 7,6 por cento de suas carteiras em 2012, respectivamente.

Mas ao contrário de seus concorrentes, o Itaú viu seu índice de inadimplência, medido pelo saldo de operações vencidas há mais de 90 dias, recuar a 4,8 por cento no quarto trimestre, uma queda de 0,3 ponto ante o trimestre anterior e de 0,1 ponto ante o quarto trimestre de 2011.

"A boa notícia é que isso melhorou no final do ano, o que possibilitará aumentar o crédito em 2013", disse Setubal, prevendo uma alta de 11 a 14 por cento da carteira neste ano.

Ao enxergar novas quedas nos calotes, o Itaú também reduziu a provisão para perdas com crédito, a 5,68 bilhões de reais, abaixo dos 5,94 bilhões nos três meses anteriores, ainda que acima dos 5,45 bilhões registrados no mesmo período de 2011.

Esse movimento influenciou o retorno sobre patrimônio líquido médio anualizado, indicador de rentabilidade dos bancos, de 18,4 por cento, ante os 17,5 por cento do trimestre anterior, embora abaixo dos 21,4 por cento de um ano antes. A rentabilidade do Bradesco no período foi de 19,2 por cento e a do Santander Brasil, de 12,2 por cento.

Outro desempenho elogiado por analistas foi a expansão de 8,2 por cento nas receitas com tarifas e serviços, na comparação anual, para 5,5 bilhões de reais no quarto trimestre.

Um ponto negativo do resultado foi a queda de 3,5 por cento na margem financeira com clientes ante o trimestre imediatamente anterior, a 11,55 bilhões de reais, influenciada pela redução do caixa devido à compra de ações dos minoritários da Redecard e a queda da taxa Selic.

Por outro lado, o banco conseguiu controlar suas despesas não decorrentes de juros, que caíram 0,65 por cento ante o quarto trimestre de 2011, para 8,46 bilhões de reais. Com isso, o índice de eficiência no final de 2012 foi de 46,6 por cento, ante 47 por cento um ano antes. O indicador mede o total de receitas sobre despesas e quanto menor, melhor o desempenho.

"A melhora da qualidade dos ativos foi melhor que a esperada, assim como as receitas e as despesas, a despeito da margem fraca", disse a equipe de analistas liderada por Carlos Macedo, do Goldman Sachs, em relatório.

O mercado reagiu bem ao desempenho do banco no último trimestre, levando a ação a fechar com alta de 2,52 por cento, a 34,19 reais nesta terça-feira, enquanto o Ibovespa fechou com queda de 0,22 por cento.

crédito

No ano passado, os empréstimos do Itaú para pessoas físicas cresceram apenas 0,7 por cento, influenciados pela carteira de veículos, que encolheu 14,8 por cento. Já os financiamentos para empresas avançaram 8,7 por cento, liderados pelo salto de 15,5 por cento das operações para grandes corporações. As concessões para micro, pequenas e médias firmas recuaram 1,6 por cento.

De acordo com Setubal, os empréstimos para projetos de infraestrutura devem ser o carro-chefe do crescimento do crédito neste ano. O executivo avaliou que, após vários anos de expansão acelerada, os empréstimos para financiar o consumo devem desacelerar, dado o maior comprometimento da renda das famílias.

"O espaço para crescer o crédito ao consumidor está reduzido, embora deva seguir crescendo a taxa de dois dígitos", disse Setubal.

A instituição, que em 2012 se tornou o primeiro banco privado do país ao alcançar a marca de 1 trilhão de reais em ativos totais, crescimento de 19 por cento em relação a 2011, também previu que suas despesas com provisões recuem para entre 19 bilhões e 22 bilhões de reais em 2013. Em 2012, as provisões somaram 23,64 bilhões de reais.

Para as receitas com serviços e resultado com seguros e previdência, a expectativa é de avanço de 11 a 14 por cento, ante expansão de 8,5 por cento no ano passado.

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