Petrobras prevê 2013 "difícil, mas exequível"

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013 15:25 BRST
 

RIO DE JANEIRO, 5 Fev (Reuters) - A Petrobras prevê um período complicado pela frente, com o câmbio praticamente anulando o efeito dos reajustes de combustíveis de 2012, além de previsões de mais baixas bilionárias de poços secos em 2013 e a perspectiva de uma produção estagnada no ano, disse nesta terça-feira a presidente da estatal, Maria das Graças Foster.

A Petrobras projeta uma grande concentração de paradas de plataformas para manutenção, especialmente no primeiro semestre, e estima que a produção ficará estável no ano, inclusive com a possibilidade de uma nova queda em 2013, após ter fechado 2012 com a primeira baixa na extração anual desde 2004.

Ao mesmo tempo, os reajustes dos combustíveis do ano passado --de 3,9 por cento e 6 por cento no diesel, nos dias 25 de junho e 16 de julho, e de 7,83 por cento na gasolina, em 25 de junho-- foram anulados pela valorização do dólar ante o real, elevando os custos de importação.

Ao final de janeiro, a Petrobras anunciou nova alta do preço da gasolina, de 6,6 por cento, e do diesel, em 5,4 por cento, nas refinarias, em um movimento esperado pelo mercado diante da defasagem dos valores dos combustíveis no país em relação às cotações internacionais.

Segundo a presidente, a empresa trabalha para obter a paridade dos preços dos combustíveis no Brasil com o mercado externo e busca constantemente mostrar ao Conselho de Administração as consequências negativas da defasagem.

A Petrobras também anunciou nesta terça-feira que tem previsão de custos de 6 bilhões de reais com poços secos em 2013, ante cerca de 7 bilhões de reais no ano passado.

"É um ano difícil porque a gente tem que acertar mais, porque tem que fazer mais previsões, preciso de mais informações... A passagem de 2013 é realmente difícil, porém é exequível e está construída na ponta do lápis", afirmou a presidente da Petrobras, explicando que a empresa está preparada para eventuais contratempos.

Questionada se o ano vai ser difícil por conta das paradas técnicas e pela falta de perspectiva de um reajuste dos combustíveis ela respondeu: "Tudo".

As ações preferenciais da Petrobras operavam em alta de 0,6 por cento por volta das 15h, enquanto as ordinárias despencavam mais de 8 por cento no mesmo horário, após a empresa ter proposto uma política diferenciada do pagamento de dividendos para as ações.   Continuação...

 
A presidente-executiva da Petrobras, Maria das Graças Foster, gesticula em reunião em Brasília. Petrobras prevê um período complicado pela frente, com o câmbio praticamente anulando o efeito dos reajustes de combustíveis de 2012, além de previsões de mais baixas bilionárias de poços secos em 2013 e a perspectiva de uma produção estagnada no ano, disse a executiva. 25/04/2012 REUTERS/Ueslei Marcelino