Ministério nega atraso na aplicação de medicamento em vítimas de Santa Maria

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013 19:49 BRST
 

Por Daniel Cassol, especial para a Reuters

PORTO ALEGRE, 5 Fev (Reuters) - O Ministério da Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul negaram nesta terça-feira demora na aplicação de hidroxicobalamina, medicamento trazido dos Estados Unidos para o tratamento dos pacientes intoxicados por cianeto na boate Kiss, de Santa Maria.

Segundo as autoridades de saúde, as quatro mortes de vítimas da tragédia que aconteceram em hospitais do Estado nos dias seguintes ao incêndio não têm relação com o não uso da medicação.

Nesta terça-feira, o número de mortos no incêndio chegou a 238, com a morte de um jovem de 20 anos que estava internado em Porto Alegre. A Secretaria de Saúde informou, sem dar mais detalhes, que ele morreu em decorrência dos ferimentos provocados pelo incêndio.

A maioria das mortes na boate, que estava lotada de jovens em idade universitária, aconteceu por inalação de cianeto liberado pela queima do revestimento acústico do estabelecimento.

O superintendente do Grupo Hospitalar Conceição, Carlos Eduardo Nery Paes, que representa o Ministério da Saúde, afirmou que "esse não é o melhor momento" para discutir se a medicação deveria ou não ter sido aplicada antes, para não causar dúvida entre as famílias.

Segundo o médico, não há um consenso definitivo sobre o prazo indicado para que a hidroxicobalamina surta efeito após a inalação do cianeto. Ele destacou a agilidade das autoridades de saúde para trazer o medicamento dos Estados Unidos menos de 48 horas depois da indicação médica, o que ocorreu na quinta-feira.

"Quando houve a indicação, por parte do primeiro profissional, da utilização desse medicamento, imediatamente o Ministério da Saúde, em conjunto com o Itamaraty, viabilizou a aquisição, o transporte, a distribuição e a aplicação, de forma que em menos de 48 horas já tínhamos esses medicamentos disponíveis dentro dos hospitais", afirmou Paes, em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira.

O medicamento, que foi doado pelo governo norte-americano, chegou no sábado ao Rio Grande do Sul e já foi aplicado, até o momento, em 35 pacientes cujo exame de sangue indicou a necessidade de hidroxicobalamina para o tratamento da intoxicação.   Continuação...