IPCA tem maior alta em quase 8 anos em janeiro, acumula 6,15% em 12 meses

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013 11:50 BRST
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Tiago Pariz

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA, 7 Fev (Reuters) - A inflação oficial do país fechou janeiro com a maior taxa mensal em quase oito anos, ainda pressionada por alimentos e despesas pessoais, e com a alta dos preços mostrando forte dispersão, colocando em risco a manutenção da taxa básica de juros do país ao longo do ano.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,86 por cento no mês passado, a maior variação mensal desde abril de 2005, quando a alta foi de 0,87 por cento --em dezembro, os preços subiram 0,79 por cento.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quinta-feira, o IPCA acumulou nos 12 meses encerrados em janeiro uma alta de 6,15 por cento, a maior desde janeiro de 2012 (6,22 por cento). Em 2012 a inflação foi de 5,84 por cento.

Com isso, o indicador se aproxima cada vez mais do teto da meta do governo para este ano, de 6,50 por cento, o que pode colocar em risco a manutenção por vários meses da Selic na atual mínima histórica de 7,25 por cento.

"Vamos ter um período prolongado de 12 meses (acumulados) acima de 6 por cento, nossa expectativa é de que recue de 6 por cento a partir do terceiro trimestre", previu o economista-chefe do banco J. Safra, Carlos Kawall, para quem o IPCA deve subir 0,40 por cento em fevereiro.

"Se o BC começar a observar nos próximos dois, três meses que a inflação caminha para ser mais desfavorável do que ele trabalha, isso pode levar a um aperto monetário", acrescentou Kawall.

Analistas ouvidos pela Reuters esperavam alta de 0,84 por cento no mês passado, segundo a mediana de 31 projeções, acumulando em 12 meses ganho de 6,13 por cento.

Antes dos dados do IPCA, o consenso do mercado era de que a Selic ficará inalterada até o final deste ano.   Continuação...