Câmbio menos volátil ajudará na inflação em 2013, diz fonte da diretoria do BC

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013 14:16 BRST
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO, 7 Fev (Reuters) - O Banco Central acredita que um câmbio "menos volátil" ajudará no combate à inflação neste ano, assim como o crescimento do mercado de crédito mais moderado, afirmou à Reuters uma fonte da diretoria da autoridade monetária nesta quinta-feira, sob condição de anonimato.

Segundo a fonte, o IPCA em 12 meses continuará "um pouco acima de 6 por cento" até a virada do primeiro para o segundo semestre de 2013. O resultado do índice de janeiro, que mostrou alta mensal de 0,86 por cento e de 6,15 por cento no acumulado de 12 meses, preocupou o BC, mas a fonte defendeu que a "situação está sob controle".

"Tende a ceder bastante (a inflação no segundo semestre)", afirmou a fonte, lembrando que o próprio mercado enxerga o IPCA encerrando este ano menor do que está agora em 12 meses, como mostrou o Focus, com o IPCA a 5,68 por cento.

Isso porque, entre outras razões, o BC trabalha com cenário cambial "menos volátil" do que ocorreu em 2012. No ano passado, o dólar acumulou valorização de cerca de 20 por cento entre o fim de fevereiro, quando atingiu o piso do ano na casa de 1,70 real, e dezembro. "Não está, no nosso cenário, outra depreciação (cambial) como houve", afirmou a fonte.

Atualmente, o dólar tem sido negociado ligeiramente abaixo de 2 reais, com atuações do próprio BC. Para o mercado, o movimento mostra que o governo quer um dólar mais barato para tirar pressão sobre os preços.

Nesta quinta-feira, a moeda norte-americana chegou a cair mais de 1 por cento --indo ao patamar de 1,9664 real na venda, o menor patamar intradiário desde maio de 2012--, com o mercado reagindo aos números de inflação e declarações do BC.

Questionada se o BC poderia elevar a taxa básica de juro Selic --hoje na mínima histórica de 7,25 por cento ao ano-- para conter a inflação, a fonte disse que vale o "que está escrito na ata" do Comitê de Política Monetária (Copom) de janeiro.

No documento, o BC piorou a perspectiva para inflação neste ano ao reforçar os riscos para os preços no curto prazo, mas sustentou que trabalha para a convergência no momento adequado para a meta, que é de 4,5 por cento com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.   Continuação...