7 de Fevereiro de 2013 / às 15:43 / em 5 anos

BCE diz que irá monitorar impacto da alta do euro

Presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, chega à coletiva de imprensa mensal do BCE, em Frankfurt. 07/02/2013Lisi Niesner

Por Eva Kuehnen

FRANKFURT, 7 Fev (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) vai monitorar o impacto do fortalecimento do euro na economia do bloco monetário, mas afirmou que essa não é uma meta de política e mostrou crescente confiança na região.

Depois de o BCE manter a taxa de juros na mínima recorde de 0,75 por cento nesta quinta-feira, o presidente da autoridade monetária, Mario Draghi, afirmou que a taxa de câmbio está perto de sua média de longo prazo mas foi além do que muitos analistas esperavam.

"A apreciação é, de certa forma, um sinal de retorno da confiança no euro", disse Draghi na entrevista à imprensa. "A taxa de câmbio não é uma meta de política, mas é importante para o crescimento e a estabilidade de preços e certamente vamos querer ver se a apreciação é sustentada e vamos alterar a nossa avaliação de risco no que diz respeito à estabilidade de preços."

O euro atingiu uma máxima de 15 meses de 1,3711 dólar em 1º de fevereiro. Nesta quinta-feira, a moeda única continental era negociada abaixo desse nível.

O presidente francês, François Hollande, afirmou na terça-feira que a zona do euro tem que desenvolver uma política de taxa cambial para proteger a moeda de "movimentos irracionais".

"Desde a última reunião de política, a taxa de câmbio do euro subiu, assim como as taxas do mercado monetário de curto prazo, o que o BCE não pode ignorar completamente", disse o economista do Citi Jurgen Michels.

Mesmo que quisesse, os estatutos do BCE indicam que a entidade está mal equipada para se juntar a uma "corrida cambial para baixo".

Além disso, os principais bancos centrais do mundo estão ampliando seus portfólios através da impressão de dinheiro, ou ao menos não estão revertendo o curso, enquanto o portfólio do BCE está se apertando, parcialmente devido ao fato de os bancos estarem pagando antecipadamente o dinheiro que emprestaram no ano passado.

Embora não tenha adotado nenhuma ação de política monetária, fontes disseram que o BCE e a Irlanda chegaram a um compromisso sobre uma longa disputa relativa ao custo do serviço do dinheiro emprestado para um banco.

O governo da Irlanda recorreu a uma legislação emergencial nesta quinta-feira para liquidar o Anglo Irish Bank como parte de um compromisso para evitar pagar 3,1 bilhões de euros por ano até 2023 pelo dinheiro que emprestou para o banco durante a quebra dos principais bancos irlandeses em 2008.

Draghi simplesmente falou que o BCE soube da operação irlandesa, mas uma fonte próxima às negociações afirmou que isso é equivalente a uma aprovação, dadas as restrições sobre o que ele poderia falar.

ECONOMIA

Sobre a atividade econômica na zona do euro, Draghi mostrou uma postura similar à de janeiro. Ele afirmou que a economia deve se recuperar gradualmente mais tarde em 2013, mas há mais riscos negativos do que positivos.

A economia da zona do euro encolheu no segundo e terceiro trimestres do ano passado, atendendo à definição técnica de recessão, e a expectativa é de que a contração tenha se aprofundado no quarto trimestre.

"A fraqueza econômica na zona do euro deve prevalecer no início de 2013", disse Draghi.

"A atividade econômica deve se recuperar gradualmente mais tarde em 2013 graças ao suporte de nossa postura de política monetária acomodativa, a uma melhora da confiança do mercado financeiro... assim como um fortalecimento da demanda global", completou.

Draghi ainda foi pressionado sobre o quanto sabia do escândalo de derivativos no banco Monte Paschi, e o que fez sobre o assunto quando chefiou o Banco da Itália (banco central do país) de 2006 a 2011.

O terceiro maior banco da Itália está no centro de uma tempestade financeira e política desde que revelou perdas de cerca de 1 bilhão de euros em complexos negócios com derivativos.

Draghi afirmou que não há implicações para o futuro papel do BCE como regulador de bancos europeus.

"O FMI (Fundo Monetário Internacional) declarou publicamente que sua visão preliminar é de que o Banco da Itália adotou ações apropriadas e no momento certo dentro dos limites da estrutura legal para lidar com os problemas (no Monte Paschi)", acrescentou.

Reportagem adicional de Annika Breidthardt

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