Casino pede explicações a Abilio Diniz sobre eventual posto na BRF

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013 19:21 BRST
 

SÃO PAULO, 7 Fev (Reuters) - O Casino, acionista controlador do Pão de Açúcar, deixou claro nesta quinta-feira a Abilio Diniz que é incompatível ao empresário manter o cargo de chairman do grupo varejista se assumir posição no Conselho da empresa de alimentos BRF.

Sem negar ou confirmar sua intenção de ser o principal nome do Conselho da BRF, Abilio teria dito que isso é uma hipótese e que ele não vê conflito de interesse no acúmulo dos cargos, segundo uma fonte próxima ao empresário que teve acesso ao teor da reunião da holding Wilkes --que concentra a maioria do capital votante do Pão de Açúcar. Abilio também disse ter sido consultado por alguns acionistas da BRF.

Os representantes do Casino na Wilkes insistiram que haveria conflito de ordem comercial no caso de Abilio vir a ser chairman da BRF e permanecer com função igual no Pão de Açúcar.

"Há uma relação de fornecedor e cliente, que envolve poder de barganha, além da relação do Pão de Açúcar com outros fornecedores e da relação da BRF com outros clientes", disse uma fonte próxima ao Casino, também sob condição de anonimato.

A possível indicação de Abilio para a presidência do Conselho da BRF, maior produtora de aves e suínos do Brasil, vem sendo ventilada na imprensa há algum tempo. O assunto ganhou força no fim da semana passada, depois que o atual chairman da BRF Nildemar Secches disse que não concorrerá a um novo mandato.

NOVOS CONSELHEIROS

Além do tema Abilio e BRF, a reunião da Wilkes foi para aprovar os nomes de dois novos conselheiros para o Pão de Açúcar, indicados pelo empresário.

Os administradores Claudio Galeazzi e Luiz Fernando Figueiredo passarão a integrar o Conselho do Grupo Pão de Açúcar, no lugar da esposa e do filho de Abilio.

O nome de Galeazzi foi aprovado apesar de não agradar o Casino, por ele ter sido um dos idealizadores da proposta de unir Pão de Açúcar e Carrefour Brasil, em 2011. Na ocasião, o grupo francês acusou Abilio, então controlador do varejista brasileiro, de tentar minar o acordo de acionistas na Wilkes.   Continuação...