ENTREVISTA-Mantega mostra-se menos preocupado com a inflação que Tombini

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013 07:17 BRST
 

Por Alonso Soto e Luciana Otoni

SÃO PAULO, 8 Fev (Reuters) - O recente pico da inflação no Brasil não é motivo para alarme, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quinta-feira, com comentários que sugerem divergência com o Banco Central sobre como lidar com a inflação em alta.

Em entrevista de cerca de uma hora com a Reuters em seu gabinete em Brasília, Mantega também disse que a recuperação do crescimento será gradual, adotando um tom mais cauteloso em relação as suas bombásticas previsões no passado, que afetaram a sua credibilidade nos mercados financeiros.

A inflação em janeiro subiu no ritmo mais rápido desde abril de 2005 e chegou a uma taxa anual de 6,15 por cento, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira.

Mantega disse que a alta foi resultado não de uma forte demanda, mas sim de fatores temporários, como preços mais elevados dos alimentos, e que a taxa de inflação começará a cair em fevereiro.

"A tendência é da inflação cair" disse Mantega.

Seus comentários contrastam com uma avaliação mais pessimista do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que levou os mercados financeiras a apostar que o BC poderá elevar os juros antes do esperado.

Questionado sobre a diferença de tom entre a sua avaliação e a de Tombini sobre a inflação, o ministro respondeu: "Por isso é que nós somos independentes, a opinião dele pode ser diferente da minha".

As opiniões divergentes têm frequentemente deixado os investidores confusos nos últimos meses, causando volatilidade nos mercados de câmbio e juros, além de levanterem questões sobre quem realmente decide na equipe da presidente Dilma Rousseff.   Continuação...